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Internacional El Chapo: quais são as acusações que levaram à condenação do megatraficante

El Chapo: quais são as acusações que levaram à condenação do megatraficante

O megatraficante mexicano Joaquín Guzmán foi submetido a julgamento nos EUA. A pena ainda não foi definida, mas a decisão indica que Guzmán, 61, pode passar o resto da vida na cadeia

El Chapo: quais são as acusações que levaram à condenação do megatraficante

Guzmán foi extraditado para os Estados Unidos em 2017

Guzmán foi extraditado para os Estados Unidos em 2017

Reuters

Joaquín "El Chapo" Guzmán foi condenado nesta terça-feira em julgamento sobre tráfico de drogas que aconteceu em Nova York, nos Estados Unidos.

A pena ainda não foi definida, mas a decisão indica que Guzmán, 61, pode passar o resto da vida na cadeia.

O mexicano é acusado de estar por trás do poderoso Cartel de Sinaloa, que, segundo os promotores americanos, era a principal fonte de drogas para os Estados Unidos.

Ele foi preso em janeiro de 2016 depois de fugir de uma prisão mexicana por um túnel.

O julgamento foi iniciado há 11 semanas e o veredicto do júri foi unânime.

Pessoas próximas depuseram contra Guzmán.

Quem é 'El Chapo'?

"El Chapo", que já foi uma das pessoas mais ricas do mundo, chefiava o cartel do norte do México.

Com o passar do tempo, se tornou um dos principais fornecedores de drogas para os EUA. Em 2009, entrou na lista da Forbes das pessoas mais ricas do mundo, na posição 701, com uma fortuna estimada em US$ 1 bilhão.

Ele é acusado de ajudar a transportar toneladas de cocaína para os EUA, de conspirar para produzir e distribui heroína, metanfetamina e maconha, além de matar e mandar matar pessoas.

A decisão final do júri dizia que ele contratava matadores de aluguel para cometer centenas de assassinatos, fazer sessões de tortura e praticar sequestros.

Revelações chocantes

O julgamento trouxe à tona revelações chocantes sobre o megatraficante.

Documentos diziam que ele drogava adolescentes de 13 anos e as estuprava.

Guzmán se referia a elas como "vitaminas", pois dizia que ter relações com meninas lhe "dava vida", contou o traficante colombiano Alex Cifuentes, com quem ele trabalhava.

Durante o julgamento, Cifuentes também disse que Guzmán ofereceu propina de US$ 100 milhões ao ex-presidente mexicano Enrique Peña Nieto, que o teria procurado antes de tomar posse em 2012 e pedido US$ 250 milhões para encerrar buscas pelo traficante. Pena Nieto não comentou as acusações.

O traficante Alex Cifuentes (esquerda) disse que Guzmán (direita) tentou subornar o ex-presidente

O traficante Alex Cifuentes (esquerda) disse que Guzmán (direita) tentou subornar o ex-presidente

Reuters

Outra testemunha disse ter visto Guzmán matar pelo menos três pessoas.

Seu ex-segurança Isaias Valdez Rios disse que Guzmán espancou duas pessoas que haviam se juntado a um grupo rival até que eles ficassem "que nem bonecos de pano". Depois, deu tiros nelas e as jogou no fogo.

Em outro incidente, queimou e mandou prender um membro de outra gangue, depois o jogou numa vala, atirou nele e o enterrou vivo.

Testemunhas também disseram que ele mandou matar seu primo porque ele teria mentido que não estava na cidade e mandou assassinar o irmão de um membro de outra gangue porque ele não quis apertar sua mão.

Quando outro traficante lhe perguntou por que ele matava as pessoas, teria respondido: "Ou a sua mãe vai chorar ou a deles".

A mulher de Guzmán, Emma Coronel, foi ao julgamento

A mulher de Guzmán, Emma Coronel, foi ao julgamento

EPA

O júri ouviu detalhes da sua fuga, em 2015, da prisão de segurança máxima mexicana Altiplano. Seu filho comprou uma casa perto da prisão e um relógio com GPS que foi contrabandeado para dentro da detenção mostrava às pessoas que estavam cavando o túnel sua localização exata.

Guzmán chegou a reclamar que conseguia ouvir as escavações da sua cela. Ele fugiu pelo túnel numa motocicleta.

Ele também usou software de espionagem para saber os passos de sua mulher e de sua amante, o que tornou possível que o FBI apresentasse suas mensagens de texto no julgamento.

Numa série delas, ele conta à mulher que fugiu de casa durante uma batida de autoridades americanas e mexicanas, e pediu que ela levasse para ele roupas, sapatos e tinta para o bigode.

Qual foi a importância desse julgamento?

Guzmán é o traficante mexicano de mais alto escalão a ser julgado nos EUA.

A guerra contra as drogas no México, que coloca autoridades contra traficantes, já matou mais de 100 mil pessoas em uma década.

Guzmán ficou famoso por fugir duas vezes da prisão no México e conseguir evitar ser preso repetidamente.

No seu Estado, tinha status de herói folclórico, tema frequente dos "narcocorridos", tributos musicais aos barões das drogas.

Em 2016, deu entrevista ao ator de Hollywood Sean Penn numa floresta mexicana depois da última fuga da prisão e se gabou de ser o maior fornecedor mundial de heroína, metanfetamina, cocaína e maconha.

Depois, foi recapturado na cidade de Los Mochis. Na perseguição, chegou a fugir por um duto, mas depois foi pego.

A Brooklyn Bridge, em Nova York, foi fechada todas as vezes em que Guzmán passou por ela, para evitar sua fuga

A Brooklyn Bridge, em Nova York, foi fechada todas as vezes em que Guzmán passou por ela, para evitar sua fuga

Reuters

A acusação final americana contra ele consolida acusações de seis jurisdições diferentes. Os promotores juntaram as provas que tinham acumulado por mais de uma década junto a parceiros internacionais, como México e Colômbia, para montar sua argumentação.

O júri era anônimo e foi escoltado para o tribunal, no bairro do Brooklyn, por oficiais armados, após promotores dizerem que Guzmán tinha um histórico de intimidar e até mandar matar testemunhas.