'Ele disse que queria matar todos os muçulmanos', diz testemunha de ataque a fiéis de mesquita em Londres

Homem que avançou sobre pedestres com van foi detido pelo público; autoridades lamentam

Vista geral da Mesquita de Finsbury Park; van avançou sobre fiéis
Vista geral da Mesquita de Finsbury Park; van avançou sobre fiéis Reuters

Um homem morreu e dez pessoas ficaram feridas depois que uma van avançou sobre fiéis nos arredores de uma mesquita no norte de Londres.

Por volta das 00h20 desta segunda-feira (20h20 de domingo em Brasília), o veículo subiu a calçada em frente a sede da ONG Muslim Welfare House, próxima à Mesquita de Finsbury Park. Havia muitas pessoas na rua que deixavam o templo, onde participaram das orações noturnas como parte do período de Ramadã, mês em que muçulmanos praticam o jejum.

Os feridos foram encaminhados a três hospitais da capital. O homem que morreu ainda não foi identificado.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que o incidente está sendo tratado como um "possível ataque terrorista".

Uma das testemunhas, Khalid Amin, contou à BBC que o veículo deliberadamente se dirigiu contra um grupo de muçulmanos na rua. "Ele estava gritando: 'Eu quero matar todos os muçulmanos'".

Segundo a polícia, o motorista da van, um homem de 48 anos, está preso. Ele foi levado a um hospital, mas está sob custódia das forças de segurança.

Ele foi detido por pessoas que estavam na rua, aguardando a chegada da polícia.

Algumas testemunhas acreditam que mais pessoas estavam envolvidas no ataque, mas a polícia disse em um comunicado que não há outros suspeitos. Outras reclamaram da demora da polícia para chegar ao local do incidente - algumas disseram que foram 45 minutos de espera.

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A primeira-ministra, Theresa May, descreveu o ocorrido como um "terrível incidente" e acrescentou: "Todos os meus pensamentos estão com os feridos, seus entes queridos e os serviços de emergência no local".

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, prometeu aumento do policiamento para comunidades, especialmente aquelas celebrando o Ramadã. Ele também pediu que pessoas permaneçam "calmas e atentas".

"Ainda não sabemos todos os detalhes, mas isto é claramente um ataque deliberado contra londrinos inocentes, muitos dos quais estavam terminando suas orações durante o mês sagrado do Ramadan", ele disse.

"Enquanto isto aparenta ser um ataque a uma comunidade específica, como os terríveis ataques em Manchester, Westminster e London Bridge, também é um atentado contra todos nossos valores compartilhados de tolerância, liberdade e respeito".

O secretário-geral do Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, Harun Khan, tuitou que a van "intencionalmente atropelou os fieis" e que ele estava "chocado e indignado".

Em um comunicado, o conselho acrescentou que o incidente foi uma "manifestação violenta de islamofobia" e pediu mais segurança ao redor das mesquitas.

Esse é o quarto ataque nos últimos três meses no Reino Unido chamado de "atentado terrorista" pelas autoridades. O primeiro ocorreu em março, quando um homem avançou contra pedestres na ponte de Westminster, em Londres; na ocasião, cinco pessoas morreram.

O segundo incidente aconteceu em maio em Manchester, quando um homem-bomba se explodiu após o show da cantora pop americana, Ariana Grande, deixando 22 mortos; e o terceiro, este mês, foi o ataque na London Bridge, realizado por três homens armados com facas, que deixou sete mortos e 48 feridos.

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