Coronavírus

Internacional Em alguns países, transexuais sofrem durante medidas restritivas

Em alguns países, transexuais sofrem durante medidas restritivas

Para pesquisador de direitos LGBT, alguns países acham que pessoas trans não se enquadram nas categorias tradicionais de homem e mulher

Reuters - Internacional
Panamá e Peru têm medidas restritivas separadas por gênero

Panamá e Peru têm medidas restritivas separadas por gênero

Bienvenido Velasco / EFE - 01.04.2020

Medidas de quarentena pelo coronavírusque dividem homens e mulheres em locais públicos na América Latina, colocam pessoas transexuais em um limbo jurídico, disseram grupos de direitos humanos na quinta-feira (2), citando o caso de uma mulher trans no Panamá multada por sair em um dia reservado para mulheres.

Panamá e Peru promulgaram regras nesta semana ordenando que homens e mulheres só podem sair de casa em dias separados. No Panamá, transexuais só podem mudar legalmente sua identidade de gênero se forem submetidas a cirurgia.

O Panamá teve mais de 1.300 casos confirmados de coronavírus até ontem, enquanto o Peru teve mais de 2.000 casos, segundo um relatório da Reuters.

O Panamá anunciou o bloqueio por gênero a partir de quarta-feira (1º), e o presidente do Peru, Martín Vizcarra, anunciou restrições semelhantes na quinta, em meio a medidas cada vez mais rigorosas de quarentena para retardar a disseminação do coronavírus.

Vizcarra disse que o decreto tornaria mais fácil para as forças de segurança monitorar a movimentação das pessoas e reforçar a quarentena.

As medidas "levantam bandeiras vermelhas para pessoas trans, que são vistas pela sociedade como não se enquadrando necessariamente nas categorias tradicionais de homens e mulheres", disse Cristian González Cabrera, pesquisador de direitos LGBT na Human Rights Watch (HRW).

"Apenas dizer que os homens podem sair neste dia e as mulheres naquele dia simplesmente não é suficiente para amenizar seus medos de assédio e discriminação", disse ele à Thomson Reuters Foundation.

O decreto peruano proibiu "qualquer tipo de discriminação" na aplicação da regra, mas as pessoas trans enfrentam preconceitos e obstáculos legais nos dois países.

"Estou preocupada com o nível de abuso e vulnerabilidade que homens e mulheres trans estão passando no momento", disse Venus Tejada, uma mulher trans e ativista de direitos no Panamá.

"Voltamos ao tempo de Adão e Eva, onde havia apenas homem e mulher e não havia absolutamente mais nada."

Tejada disse que ao menos quatro pessoas trans foram perseguidas e interrogadas pelo público ou pela polícia no Panamá.

Entre eles, estava Barbara Delgado, uma mulher trans que alegou ter sido detida durante três horas pela polícia e multada em 50 dólares por estar fora na quarta-feira, um dia designado para mulheres.

"Eu me senti péssima", disse Delgado à Fundação. "Eu me senti totalmente quebrada emocionalmente, psicologicamente."

Agora, segundo ela, tem medo de sair.

Delgado também estava na rua fora do horário permitido pelo número do seu cartão de identificação, mas disse que tinha uma carta de autorização de um centro médico onde se voluntaria.

Um porta-voz do Ministério da Saúde do Panamá não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

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