Brexit: Reino Unido fora da União Europeia
Internacional Em defesa do bloco, líderes europeus querem acelerar saída do Reino Unido

Em defesa do bloco, líderes europeus querem acelerar saída do Reino Unido

Itália, França e Alemanha, apesar de divergências, pedem pressa

Em defesa do bloco, líderes europeus querem acelerar saída do Reino Unido

A chanceler alemã, Angela Merkel, se reuniu com o presidente francês, François Hollande

A chanceler alemã, Angela Merkel, se reuniu com o presidente francês, François Hollande

Reuters

Se por um lado Itália, Alemanha e França possuem grandes diferenças sobre diversas questões europeias, por outro, os líderes das três nações estão certos de que o processo da saída do Reino Unido da União Europeia precisará ser rápido.

Após uma reunião a portas fechadas entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, ressaltaram essa urgência.

"Temos temperamentos diferentes, todos conhecem bem o jeito como os alemães buscam raciocinar seriamente e eles têm razão. Mas, não há nenhuma diferença entre França e Alemanha sobre a pergunta atual: a Grã-Bretanha precisa sair rápido? Sim. Londres votou e votou pelo 'Brexit' e o 'Brexit' pede um ato final agora", disse o ministro francês das Finanças, Michel Sapin, à "France 2" sobre o resultado da reunião dos líderes.

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Por sua vez, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, fez um discurso no Senado na mesma linha de Merkel e Hollande. O italiano viajará para Berlim onde participará de uma reunião com Alemanha e França e com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, nesta segunda-feira (27).

Segundo o premier, o voto do povo inglês "foi um fato histórico e quem busca minimizar ou instrumentalizar o que ocorreu cometerá um erro político".

"Isso pesa uma tonelada na história da UE. Não entro aqui no mérito do artigo 50, que abrirá a negociação para a saída da UE pela Grã-Bretanha nas regras do jogo. São dinâmicas que enfrentaremos na sede europeia. Mas, a Itália diz que tudo que não pode acontecer é abrir mais um ano de discussão sobre procedimentos após termos debatido por um ano as negociações", ressaltou.

Para o líder italiano, é preciso agir "e não fingir que nada aconteceu". "Se o povo vota e alguém tenta frear o que o povo decide, mina-se o jogo democrático. Assim, perde-se de vista a mensagem do referendo", ressaltou.

O encontro dessa segunda-feira é uma prévia da grande reunião com todos os líderes europeus, que ocorre a partir de amanhã (28). Não é esperado que o primeiro-ministro inglês, David Cameron, ative o artigo 50 — que dará início ao processo formal de saída. O temor dos europeus é que o bloco torne-se refém dos ingleses, que podem demorar a ativar a cláusula, e que isso estimule outras nações a deixarem a União Europeia.

Um dos indicativos dessa situação é a fala do provável substituto de Cameron, o ex-prefeito de Londres Boris Johnson.

"Não temos pressa em deixar a União Europeia. Não haverá emergência financeira, os pagamentos de pessoal estão assegurados e os mercados estão estáveis. São boas notícias", disse ao jornal Daily Mail.

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