Crise na Venezuela

Internacional Em relatório, ONU acusa governo venezuelano de 6,8 mil execuções

Em relatório, ONU acusa governo venezuelano de 6,8 mil execuções

Texto acusa administração de Nicolás Maduro de 'grave ataques aos direitos' e documenta, além de execuções, torturas e detenções arbitrárias

ONU acusa governo da Venezuela de execuções extrajudiciais

ONU acusa governo da Venezuela de execuções extrajudiciais

Carlos Garcia Rawlins/Reuters - 30.4.2019

A alta comissária da ONU (Organização das Nações Unidas) para os direitos humanos, Michelle Bachelet, acusou nesta quinta-feira (4), durante a apresentação de seu relatório sobre a Venezuela perante o Conselho dos Direitos Humanos, o governo de Nicolás Maduro de "graves violações de direitos", entre outros incidentes graves, estão mais de 6,8 mil execuções extrajudiciais.

"O destino de mais de 30 milhões de venezuelanos está nas mãos das autoridades e em sua capacidade de colocar os direitos humanos à frente de qualquer ambição ideológica ou política", afirmou Bachelet, em seu discurso de apresentação do documento em Genebra. EFE

O relatório acusa o governo de Nicolás Maduro de "grave ataques aos direitos" e documenta, entre outros fatos graves, mais de 6.800 execuções extrajudiciais por parte das forças de segurança venezuelanas entre janeiro de 2018 e maio de 2019.

"Estes crimes devem ser investigados a fundo, estabelecendo responsabilidades para seus autores, e garantindo sua não repetição", afirmou a alta comissária.

Bachelet também denunciou as repetidas informações recebidas sobre torturas durante detenções arbitrárias e neste sentido lembrou a recente morte do ex-oficial da Marinha Rafael Acosta quando estava sob custódia, um caso que pediu que seja investigado de forma imparcial e transparente.

A ex-presidente chilena disse que "as instituições essenciais e o Estado de direito na Venezuela se corroeram e o exercício das liberdades de expressão, associação, assembleia e participação corre perigo de ser punido com represálias e repressão".

"A única forma de sair desta crise é a união, e peço ao governo da Venezuela que veja a oposição e os defensores de direitos humanos como parceiros na causa comum destes direitos e da justiça, para plantar as sementes de um acordo durável que leve à reconciliação", concluiu Bachelet.

A resposta da Venezuela

A delegação da Venezuela no Conselho de Direitos Humanos criticou nesta sexta-feira (5) o relatório apresentado por Bachelet sobre a situação no país, que considerou "parcial e cheio de graves erros metodológicos".

"O documento é dominado por uma visão seletiva e parcial, carente de rigor científico e com graves erros metodológicos", ressaltou o vice-ministro venezuelano de Relações Exteriores, William Castillo, na sua réplica ao relatório apresentado pelo alto Escritório das Nações Unidas de Direitos Humanos, comandado por Bachelet.

"A senhora sabe que o relatório não reflete a realidade do que viu no nosso país", acrescentou o diplomata em referência à viagem que a ex-presidente chilena fez à Venezuela no mês passado.

Castillo argumentou suas críticas no fato de que das 558 entrevistas realizadas para a elaboração do seu relatório, 460 aconteceram fora da Venezuela (segundo Bachelet explicou previamente, com migrantes e refugiados venezuelanos atualmente em Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Espanha).

"Além disso, o documento ignora os graves impactos que o ilegal, criminoso e imoral bloqueio econômico está exercendo sobre a vida do nosso povo", acrescentou o vice-ministro, exigindo uma "correção de seu conteúdo".

O vice-ministro acrescentou que "a Venezuela rejeita categoricamente a criminalização dos corpos de segurança e das forças armadas nacionais".

"O que se quer é que o Estado fique desarmado quando existem sérios riscos à segurança nacional, planos de golpe de Estado que propõem um banho de sangue entre a população civil e inclusive uma intervenção militar estrangeira com a qual nos ameaça o presidente (americano) Donald Trump", defendeu.

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