Internacional Energia nuclear busca se consolidar como alternativa energética segura

Energia nuclear busca se consolidar como alternativa energética segura

Sem emissão de gases do efeito estufa e impacto ao meio ambiente, fonte enfrenta estigma de acidentes para se estabelecer

  • Internacional | Giovanna Orlando, do R7

Brasil possui duas usinas nucleares: Angra 1 e 2, no estado do Rio de Janeiro

Brasil possui duas usinas nucleares: Angra 1 e 2, no estado do Rio de Janeiro

Flickr/Tiago Padilha Alves

No mundo todo, a preocupação com o meio ambiente e um futuro mais sustentável e verde comanda a pauta em 2021. Com diversos países se comprometendo a reduzir a emissão de gases do efeito estufa e encontrar formas de ajudar a preservar o meio ambiente, encontrar fontes limpas de geração de energia é essencial.

Há anos, a energia eólica e a solar entraram como alternativas de energia verde, uma opção melhor que queima de carvão e até energia hidrelétrica, por conta de seus impactos ambientais. Entre as possibilidades também está a energia nuclear, que, diferentemente do que é associado no imaginário coletivo, pode ser bastante segura.

A energia nuclear é produzida a partir do calor da fissão do núcleo de um átomo de urânio enriquecido. Diferentemente das outras formas de produção de energia, a radiação pode ser usada para mais de uma aplicação, como na indústria e na medicina.

No entanto, acidentes com usinas como as de Chernobyl (na antiga União Soviética, hoje Ucrânia), há 35 anos, e a de Fukushima (Japão), há 10 anos, ajudaram a criar no imaginário popular a noção de que é uma fonte essencialmente perigosa. Especialistas alertam que, apesar do risco de acidentes sempre existir, a possibilidade é muito pequena.

Hoje em dia, a tecnologia no setor permite que novos reatores, cada vez mais seguros, sejam desenvolvidos e entrem em operação em breve. Além disso, há diversos protocolos e medidas de segurança que impedem que acidentes de grandes proporções aconteçam.

Energia nuclear não emite gases do efeito estufa

Energia nuclear não emite gases do efeito estufa

Pixabay

Produção de energia limpa

Diferente de outras formas de produção de energia, a energia nuclear não gera gases do efeito estufa, diz a professora de Engenharia Nuclear da Politécnica-UFRJ, Inaya Lima.

Apesar do menor impacto ao meio ambiente, o professor de Engenharia Nuclear da UFRJ, Aquilino Senra, diz que “nessa área não tem santo, todas as energias são pecadoras. De alguma forma, todas afetam o meio ambiente”.

"A energia nuclear é feita para ser segura, mas acidentes acontecem. Não há risco zero. Com 440 usinas ao redor do mundo, só aconteceram 3 acidentes de larga escala, então a gente considera que a probabilidade é muito baixa", afirma ele

Para a instalação de uma usina eólica, é necessário um terreno grande para implementar as hélices e turbinas. Usinas solares também precisam de grandes espaços para conseguir espalhar o máximo de painéis solares possíveis. Para montar uma usina hidrelétrica, barragens precisam ser construídas, áreas alagadas e as instalações são grandes.

Usinas nucleares não são tão grandes e o impacto direto com o meio ambiente é pequeno. Segundo Senra, os maiores perigos da usina são na eventualidade um acidente, mas “em condições normais de operação, é uma usina ambientalmente segura, não emite gases do efeito estufa e a radiação é controlada dentro da usina”.

Até hoje, energia nuclear é associada aos grandes acidentes, como Chernobyl

Até hoje, energia nuclear é associada aos grandes acidentes, como Chernobyl

Gleb Garanich/Reuters - 12.4.2021

Quebrando o estigma

Com dois acidentes de grandes proporções em Chernobyl e Fukushima e o uso bélico — especialmente as bombas norte-americanas detonadas sobre Hiroshima e Nagazaki, além de um imenso arsenal existente no mundo —, a energia nuclear se tornou perigosa no inconsciente coletivo. Enquanto milhares de pessoas acreditam que é perigoso se ter uma usina nuclear e os riscos da radiação, os benefícios ficam esquecidos.

O Brasil já possui uma usina nuclear em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, que é responsável por uma pequena parcela da energia no estado e em São Paulo. Segundo a professora Inaya Lima, a usina é segura e a empresa tem diversos projetos para a comunidade do entorno da unidade e preocupação com o meio ambiente.

“O que o público conhece da energia nuclear vem dos grandes acidentes”, explica Inaya. “O estigma do perigo tem que ser diminuído”.

Para os especialistas, a melhor forma para quebrar o medo da população sobre energia nuclear é com informação sobre os avanços na área, a chance pequena de grandes acidentes e os benefícios de se investir nessa forma de produção de energia.

“O crescimento econômico de um país é diretamente proporcional à energia. Como nós queremos crescer, precisamos de energia. E não dá para colocar todos os ovos no mesmo cesto, tem que ter uma diversificação na produção de energia”, analisa Senra.

No país, a energia hidrelétrica é responsável por cerca de 60% da energia gerada, mas há projetos para a criação de mais usinas nucleares no futuro.

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