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Internacional Equipes de resgate procuram vestígios de passageiros de avião que caiu na China

Equipes de resgate procuram vestígios de passageiros de avião que caiu na China

Acidente do Boeing 737-800, que tinha 132 pessoas a bordo, é provavelmente a catástrofe aérea com o maior número de mortes no país em quase três décadas

AFP
Destroços do avião da China Eastern que caiu em uma área montanhosa no  sudoeste  do país

Destroços do avião da China Eastern que caiu em uma área montanhosa no sudoeste do país

AFP - 21.03.2022

As equipes de resgate trabalham nesta terça-feira (22) contra a chuva e a lama na busca por vestígios das 132 pessoas que estavam a bordo do Boeing-737 da China Eastern que caiu em uma área montanhosa no sudoeste da China nesta segunda.

As esperanças de encontrar sobreviventes são praticamente nulas um dia após o acidente, provavelmente a catástrofe aérea com o maior número de mortes na China em quase três décadas.

Acumulam-se perguntas sobre as causas do acidente com a aeronave, que perdeu mais de 26 mil pés (quase 8.000 metros) em apenas três minutos, antes de cair em uma montanha.

A companhia aérea reconheceu que os ocupantes do voo, entre as cidades de Kunming (sudoeste) e Cantão (sul), morreram, mas não divulgou detalhes. 

O presidente Xi Jinping ordenou uma investigação profunda para que as causas do acidente sejam apuradas o mais rápido possível.

Equipes de resgate, bombeiros e agentes de unidades de emergência seguiram para a área rural da região de Guangxi, local do acidente.

Os funcionários examinam os pedaços queimados do avião e rastros do incêndio provocado. Um deles especulou que os passageiros teriam sido "totalmente incinerados" devido à intensidade das chamas.

Um orador da região, que revelou apenas o sobrenome, Ou, afirmou que ouviu um "barulho como o de um trovão" na tarde de segunda-feira, seguido por uma explosão violenta nas colinas próximas.

A imprensa estatal exibiu imagens das equipes de resgate na área da queda do avião, entre árvores derrubadas e pedaços do Boeing, inclusive uma peça com o símbolo da companhia aérea.

Outras imagens mostravam funcionários utilizando drones para facilitar as buscas no terreno, íngreme e com vegetação densa.

O desastre ocorreu após uma queda vertical em alta velocidade, de acordo com um vídeo divulgado pela imprensa chinesa. A AFP não conseguiu verificar até o momento a autenticidade do vídeo.

Em Cantão, funcionários da companhia aérea ajudam as famílias dos 123 passageiros e nove tripulantes do avião.

Dados "muito incomuns"


O voo MU5735, que decolou de Kunming pouco depois das 13h (2h de Brasília), "perdeu contato quando estava sobrevoando a cidade de Wuzhou", segundo um comunicado da Caac (Administração da Aviação Civil da China).

"A companhia expressa profundas condolências pelos passageiros e pelos membros da tripulação que morreram no acidente", afirmou a China Eastern em um comunicado divulgado na segunda-feira à noite, sem apresentar mais informações. A catástrofe provocou uma rápida resposta de Xi Jinping, que se declarou "chocado".

A imprensa estatal afirmou que o vice-primeiro-ministro Liu He, muito próximo de Xi e que atua mais em questões econômicas, foi enviado à região para supervisionar as tarefas de resgate e investigação.

A Junta Nacional de Segurança no Transporte dos Estados Unidos anunciou que tinha designado um especialista como representante nas investigações e que diretores da Boeing, General Electric e da Administração Federal de Aviação atuarão como conselheiros técnicos.

De acordo com o rastreador de voos especializado FlightRadar24, a aeronave perdeu quase 21.250 pés (6.477 metros) em apenas um minuto antes de desaparecer dos monitores do radar.

Depois, após uma breve subida, despencou novamente, a 1.410 metros, para ficar 983 metros acima do solo. A aeronave desapareceu dos radares às 14h22 (3h22 de Brasília).

Jean-Paul Troadec, ex-diretor do Escritório de Investigação e Análises de Segurança Aérea da França, afirmou à AFP que é "muito cedo" para tirar conclusões, mas que os dados do FlightRadar são "muito incomuns".

Nos últimos anos, a China se destacou pelos elogiados padrões de segurança da aviação, apesar do rápido e amplo crescimento do setor nas últimas décadas.

A imprensa estatal informou que a companhia aérea suspendeu os voos com os modelos Boeing 737-800.

Em um comunicado, a fabricante americana afirmou que tenta "reunir mais informações" e trabalha com os clientes.

O acidente de voo comercial com mais vítimas na China ocorreu em 1994, quando a queda de uma aeronave da China Northwest Airlines provocou a morte das 160 pessoas a bordo.

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