Internacional Erdogan: Judiciário decidirá destino de pastor dos EUA preso na Turquia

Erdogan: Judiciário decidirá destino de pastor dos EUA preso na Turquia

Presidente turco diz que decisão não é política e ele não tem 'o direito' de libertar Andrew Brunson. Prisão detonou sanções dos EUA à Turquia

Erdogan: Judiciário decidirá destino de pastor dos EUA preso na Turquia

Erdogan diz não 'ter direito' de libertar pastor

Erdogan diz não 'ter direito' de libertar pastor

Carlo Allegri / Reuters / 26.9.2018

O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, disse que um tribunal de seu país, e não políticos, decidirá o destino de um pastor norte-americano cuja detenção por acusações de terrorismo abalou as relações entre Ancara e Washington.

Na segunda-feira, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse ter esperança de que a Turquia liberte o pastor evangélico Andrew Brunson neste mês. Ele passou a cumprir prisão domiciliar em julho depois de ficar detido durante 21 meses.

Em uma entrevista concedida na terça-feira (26), quando estava em Nova York para a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Erdogan disse que qualquer decisão a respeito de Brunson será tomada pela corte.

"Esta é uma questão jurídica", afirmou o presidente turco. "Brunson foi detido por acusações de terrorismo. Em 12 de outubro, haverá outra audiência. Não sabemos o que o tribunal decidirá, e políticos não opinarão no veredicto."

Se for considerado culpado, Brunson pode ser preso por até 35 anos. Ele nega as acusações.

"Como presidente, não tenho o direito de ordenar sua libertação. Nosso Judiciário é independente. Vamos esperar para ver o que o tribunal decide."

Retaliações dos EUA desencadearam crise na Turquia

Enfurecido com a detenção do pastor, o presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou a duplicação das tarifas ao alumínio e ao aço importados da Turquia. Ancara retaliou aumentando as tarifas sobre importações de carros, álcool e tabaco dos EUA.

A lira perdeu quase 40 por cento do valor diante do dólar neste ano devido aos temores do controle de Erdogan sobre a política monetária e da crise diplomática entre Ancara e Washington.

"O caso Brunson não é nem de longe relacionado à economia da Turquia. Os desafios econômicos atuais foram exagerados mais do que o necessário, e a Turquia superará estes desafios com seus próprios recursos", disse Erdogan.

O Banco Central turco elevou sua taxa básica de juros em 6,25 pontos percentuais neste mês, o que fortaleceu a lira e possivelmente apaziguou os temores dos investidores com a influência de Erdogan sobre a política monetária.

Erdogan disse que a decisão foi um sinal claro da independência do Banco Central, acrescentando que, como presidente, é contra a elevação dos juros.

Ele ainda disse que a Turquia continuará comprando gás natural do Irã, apesar das sanções dos EUA a Teerã.