Espanha retoma parcialmente atividades, mas há reclamações

Estabilização da pandemia faz governo espanhol relaxar quarentena, mas governos regionais temem os riscos da volta de milhões ao trabalho

Equipe de hospital de Málaga aplaude esforço dos espanhóis em quarentena

Equipe de hospital de Málaga aplaude esforço dos espanhóis em quarentena

Daniel Pérez / EFE - 12.4.2020

Atividades econômicas não essenciais, como indústria pesada e construção, foram retomadas nesta segunda-feira (13) na Espanha, após duas semanas de paralisação praticamente total por ordem do governo para interromper o coronavírus, mas algumas regiões, incluindo a Catalunha, alertaram para os riscos de milhões de trabalhadores voltarem ao trabalho.

O presidente do governo, Pedro Sánchez, garantiu neste domingo, em entrevista  realizada pela internet, que a proteção e a segurança dos trabalhadores serão garantidas, ao mesmo tempo em que exige um grande pacto nacional para relançar a economia quando a pandemia passar.

Parte do plano de retomada da atividade econômica é a distribuição, até quarta-feira, de 10 milhões de máscaras aos trabalhadores que viajam por meio de transporte coletivo, como trens, metrôs e ônibus, para prevenir infecções.

Apesar da permissão para que a construção civil e a indústria, o governo mantém o estado de alarme até pelo menos 26 de abril, o que significa que os moradores têm a obrigação de permanecer nas casas (exceto para trabalhar ou comprar produtos básicos). Também serão mantidos os controles nas fronteiras e o fechamento de inúmeros estabelecimentos de ensino, culturais, esportivos, de hotelaria e comerciais.

Regras de quarentena retornam à etapa 1

A quarentena foi decretada pelo governo espanhol em 30 de março. Desde então, trabalhadores de todos os setores econômicos e profissionais não essenciais permanecem em suas casas, com licenças remuneradas para reforçar o confinamento. 

Presidente Pedro Sánchez recebeu críticas

Presidente Pedro Sánchez recebeu críticas

Mariscal / EFE - 9.4.2020

Antes disso, em 14 de março, a Espanha tinha decretado medidas de isolamento, como o fechamento de escolas, a proibição de eventos públicos e as restrições a várias atividades, com exceção das essenciais e outras de grande peso na economia, como a indústria e a construção. O Ministério da Saúde considera que o retorno às restrições iniciais deverá servir para continuar reduzindo a expansão do coronavírus e é uma decisão "eficaz" e "suficiente".

No entanto, Sánchez recebeu críticas de líderes regionais conservadores e nacionalistas, que consideram o retorno parcial ao trabalho apressado, pois isso poderia implicar uma reversão do controle da epidemia, e pedem a ele mais participação na tomada de decisões.

O presidente da Catalunha, o independentista Quim Torra, considerou "uma imprudência e uma imprudência absoluta" levantar algumas restrições agora, e alertou Sánchez que se ele não revisar a decisão, corre o risco de decretar novos confinamentos totais mais tarde.

Por sua parte, o presidente de Castilla y León, o conservador Alfonso Fernández Mañueco, propôs "esperar alguns dias", porque não acredita que a segurança seja garantida "ou que as circunstâncias sejam atendidas" para alcançá-la.