Estados do norte e do sul da Itália divergem sobre reabertura do país

Autoridades das regiões mais afetadas querem reabrir o país já no início de maio, enquanto os do sul pedem mais calma e testes antes da decisão

Homem caminha por Roma em meio à quarentena na Itália

Homem caminha por Roma em meio à quarentena na Itália

Riccardo Antimiani / EFE - EPA - 18.4.2020

A Itália vem considerando a possibilidade afrouxar as restrições para conter a pandemia do novo coronavírus, com as regiões norte e sul divididas sobre a adequação, enquanto o país continua sendo o mais mortal da Europa, com mais de 23 mil óbitos por Covid-19, mais de 176 mil pessoas infectadas, de acordo com o último boletim, divulgado neste sábado.

Leias também: Itália registra recorde de pacientes curados da covid-19 em um dia

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, pretende colocar ordem reunindo representantes de todas as regiões para tratar dos passos da chamada "Fase 2", a reabertura gradual do país a partir de 3 de maio, quando expira o prazo para as restrições e o confinamento.

O maior apoiador do alívio do bloqueio é o governador da região do Vêneto, Luca Zaia, que hoje insistiu que essa etapa pode começar agora mesmo.

"Minha posição é que no dia 4 de maio poderá ser aberto com as regras e garantias científicas. E se quiséssemos dar mais um passo, ele poderia vir à luz imediatamente, de forma racional e prudente", defendeu em sua habitual entrevista coletiva.

Zaia disse que a sua ideia é que, diante da queda na taxa de infecção, o país poderia começar a se abrir gradualmente para "colocar a máquina em funcionamento, aquecer os motores e depois entrar em ritmo".

Por outro lado, partiu do comissário governamental para a crise sanitária, Domani Arcuri, um apelo à cautela. "Devemos entender que é completamente errado entrar em um conflito entre saúde e recuperação econômica. Sem saúde, a recuperação seria curta", destacou.

Críticas vindas do sul

O pedido de reabertura do país tem sido criticado por várias autoridades do sul, puxados pelo governador da Campânia, Vincenzo De Luca, que, de Nápoles, disse que poderia fechar as suas divisas para impedir a chegada de pessoas do norte.

"Se as regiões onde o contágio é tão forte (norte) se acelerarem, a Campânia fechará as suas divisas. Faremos uma portaria para proibir a entrada de cidadãos dessas regiões", advertiu.

De Luca defendeu a necessidade de proteger sua área porque algumas partes da costa napolitana têm a maior concentração de população de toda a Europa.

Por sua vez, o presidente da Calábria também no sul, Jole Santelli, concordou com líder da Campânia e pediu para que a sua população não seja vítima da pressa.

"De Luca quer fechar, eu nunca abri aqui. Estamos fechados desde 7 de março, mesmo antes de o governo ordenar, porque tentamos evitar o êxodo", afirmou ao jornal "La Repubblica".

O medo no sul, que também já foi expresso na região da Apúlia em outras ocasiões, é que a reabertura gradual do país provoque um êxodo do norte e aumente o número de casos de contágio, colocando em risco o sistema de saúde no sul da Itália, que é menos eficiente. Um dos debates é se, uma vez permitido que as pessoas retornem ao trabalho, elas poderão mudar de província.

Contágio dá sinais de queda

Enquanto isso, a propagação da pandemia continua mostrando sinais de desaceleração, como os especialistas haviam previsto, embora ainda estejam sendo registrados altos níveis de infecção.

O número de mortes na Itália por coronavírus já atingiu 23.227, com 482 óbitos nas últimas 24 horas. É o número mais baixo desde o último domingo, de acordo com dados da Defesa Civil. O total de notificações é de 175.925, um aumento de 3.491 de ontem para hoje, em linha com os últimos dias.

No momento, há 107.771 casos ativos, com 80.031 pessoas isoladas em casa com sintomas leves, 25.007 em hospital e 2.733 em terapia intensiva.

Uma boa notícia é a redução da pressão nos hospitais, incluindo os da região Lombardia, que muitas vezes estiveram à beira do colapso. São 79 pacientes a menos em unidades de terapia intensiva neste sábado. Além disso, houve 2.200 pacientes curados nas últimas 24 horas, para um total de 42.727.

Fase 2 em maio

O governo já permitiu a abertura de livrarias, papelarias e lojas de roupas infantis e está pensando em como aliviar o confinamento da população, uma vez que ele expira no dia 3 de maio. Parte da imprensa tem especulado que a possibilidade de permitir esportes ao ar livre está sobre a mesa, mas sempre respeitando as distâncias de segurança.

Arcuri também explicou que estão pensando em lançar um aplicativo para rastrear os contatos de pessoas que testam positivo para o vírus SARS-CoV-2, uma ferramenta que primeiro terá que ser testada em várias regiões do país.

O vice-ministro da Saúde, Pierpaolo Sileri, declarou que na "Fase 2" as empresas poderão abrir com base na sua capacidade de seguir as regras para evitar o contágio e que os cinemas e teatros serão os últimos a voltar à normalidade.