EUA: Congresso intima Casa Branca por documentos do caso Ucrânia

Comitês da Câmara se uniram para intimar o governo norte-americano a liberar registros sobre ligação de Donald Trump para presidente da Ucrânia

Trump está sob investigação do Congresso

Trump está sob investigação do Congresso

Tom Brenner / Reuters - 3.10.2019

Vários comitês da Câmara de Representantes dos Estados Unidos que investigam se o presidente Donald Trump pressionou a Ucrânia para que fosse aberto um inquérito por corrupção no país contra o ex-vice-presidente Joe Biden vão intimar formalmente a Casa Branca para ter acesso a documentos não disponibilizados pelo governo americano.

Representantes da oposição democrata, que analisam a possibilidade da abertura de um processo de impeachment contra Trump, afirmaram que foram obrigados a enviar o requerimento porque a Casa Branca se recusou a entregar os documentos solicitados por vontade própria.

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"A Casa Branca se negou a responder múltiplas solicitações de envios de documentos de nossos comitês de forma voluntária. Após quase um mês, parece claro que o presidente escolheu o caminho do desafio, da obstrução e do encobrimento", afirmaram os líderes dos comitês em comunicado.

"Lamentamos profundamente que o presidente Trump tenha nos colocado e colocado o país nesta posição, mas suas ações não nos deixam outra opção a não ser enviar esse documento", completaram os democratas na nota.

Convocações de depoimentos e requerimentos para o envio de documentos foram feitos pelos democratas quase diariamente após a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, ter determinado o início da investigação contra Trump no órgão.

Os comitês exigirão documentos relacionados ao secretário de Estado, Mike Pompeo, devido às dúvidas sobre sua participação nos contatos com o governo da Ucrânia, e também do advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, que tem um papel central no escândalo.

A crise começou após a divulgação do conteúdo de uma ligação entre Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyi, no dia 25 de julho. No diálogo, o presidente americano faz pressão para que Zelenskyi abra uma investigação contra o ex-vice-presidente Joe Biden, pré-candidato democrata às eleições dos EUA em 2020.

Além disso, Trump bloqueou o repasse de US$ 400 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) em assistência militar à Ucrânia por semanas depois da ligação com Zelenski. Os democratas afirmam que o presidente americano segurou o dinheiro como forma de aumentar a pressão sobre Kiev.

Após ouvir a ligação, um funcionário do governo americano, que seria um agente da CIA, apresentou uma queixa interna contra o presidente.