Internacional EUA: juiz autoriza ex-presidente peruano sair de casa 4 horas por dia

EUA: juiz autoriza ex-presidente peruano sair de casa 4 horas por dia

Alejandro Toledo foi preso em julho de 2019 pelas autoridades dos Estados Unidos e seu processo de extradição está sendo avaliado

Alejandro Toledo é protagonista no escândalo de propinas da Odebrecht no Peru

Alejandro Toledo é protagonista no escândalo de propinas da Odebrecht no Peru

REUTERS/Enrique Castro-Mendivil

Ex-presidente do Peru, Alejandro Toledo, em prisão domiciliar nos Estados Unidos recebeu nesta sexta-feira (28) autorização da justiça para sair de casa diariamente por até quatro horas. Ele é um dos protagonistas do escândalo de pagamento de propinas pela Odebrecht e seu processo de extradição está sendo avaliado. 

Em uma ordem judicial a cujo conteúdo a Agência Efe teve acesso, o juiz Thomas Hixson, do Tribunal do Distrito Norte da Califórnia, aceitou um pedido feito pelo advogado do ex-presidente peruano e que não recebeu oposição do Ministério Público.

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Embora Toledo tenha sido preso pelas autoridades americanas em julho de 2019, a maior parte do processo judicial até o momento se concentrou em determinar se havia risco de fuga e se o ex-mandatário poderia ou não deixar a prisão, o que acabou sendo aceito pelo juiz do caso em março, alegando o risco que os detentos sofriam nas penitenciárias por causa da pandemia do novo coronavírus.

Desde então, Toledo deveria permanecer em casa sob prisão domiciliar, mas em abril o serviço penitenciário da Califórnia denunciou que ele havia deixado sua casa quatro vezes para ir à praia e a casas de vizinhos, o que lhe valeu uma reprimenda do magistrado.

Desde então, o comportamento de Toledo foi ajustado às condições da prisão domiciliar, de modo que agora o juiz decidiu aceitar este pedido de seu advogado.

Escândalo das propinas

O ex-presidente peruano é acusado de ter recebido até US$ 35 milhões da construtora Odebrecht em propinas em troca de favorecer a empresa brasileira em seus negócios no país sul-americano quando ainda era presidente. Nos últimos anos, ele viveu foragido da justiça peruana na região de São Francisco Bay, nos Estados Unidos.

Segundo as investigações do Ministério Público do Peru, Toledo recebeu propinas da Odebrecht através do empresário peruano-israelense Josef Maiman, que supostamente depositou o dinheiro em contas na Costa Rica, entre elas da empresa Ecoteva, fundada pela sogra do ex-presidente.

Maiman, que vive em Israel, aceitou no final do ano passado fazer delações premiadas para a Procuradoria Geral do Peru. Ele declarou que emprestou as contas de suas empresas para receber cerca de US$ 35 milhões pagos pela Odebrecht a Toledo.

Por esta razão, o ex-presidente é acusado dos crimes de lavagem de dinheiro, conluio e tráfico de influência e, em fevereiro de 2017, tornou-se alvo de uma ordem de prisão internacional e de um mandato de 18 meses de prisão preventiva.

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