Internacional EUA: Kamala Harris enfrenta baixa popularidade e pautas 'espinhosas'

EUA: Kamala Harris enfrenta baixa popularidade e pautas 'espinhosas'

Primeira mulher, negra e de origem asiática a ocupar a vice-presidência lida com as altas expectativas dos EUA e do mundo

  • Internacional | Letícia Sepúlveda, do R7

Vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, enfrenta baixa popularidade em seu 1º ano de governo

Vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, enfrenta baixa popularidade em seu 1º ano de governo

EVELYN HOCKSTEIN / POOL / AFP

Há um ano, Joe Biden se tornava presidente e Kamala Harris vice-presidente dos Estados Unidos. A então senadora democrata, filha de mãe indiana e pai jamaicano, se tornava, aos 56 anos, a primeira mulher, negra e de origem indiana ou asiática a assumir o cargo e entrou para a história.

“Posso ser a primeira, mas não serei a última”, disse rodeada de meninas e mulheres, em seu primeiro pronunciamento após a confirmação da vitória dos democratas na eleição de 2020. “Porque cada menina que está assistindo este discurso vê que este é um país de possibilidades”, completou.

Kamala Harris no centro da foto entre a irmã Maya, seus avós maternos e sua mãe

Kamala Harris no centro da foto entre a irmã Maya, seus avós maternos e sua mãe

Reprodução/Instagram @kamalaharris

Assim, Kamala, que também foi a primeira mulher negra a ocupar o cargo de procuradora-geral da Califórnia, começou seu mandato com altas expectativas por parte dos grupos minoritários que representa.

Entretanto, não demorou muito para que ela começasse a enfrentar críticas dos eleitores que esperavam mais de seu papel representativo, e da oposição, que começou a chamá-la de vice “de enfeite”.

Em novembro do ano passado, uma pesquisa realizada pelo jornal USA Today e pela Universidade de Suffolk apontou que apenas 28% dos eleitores americanos aprovam seu papel como vice, enquanto 58% desaprovam seu trabalho. Os dados revelam que Kamala é a vice mais impopular dos Estados Unidos nos últimos 50 anos.

Para Clarissa Forner, professora do curso de Relações Internacionais na Universidade São Judas Tadeu, as expectativas foram elevadas pela construção de Kamala como um "ícone de representatividade".

“No entanto, tais expectativas não parecem considerar as limitações concretas inerentes ao cargo vice-presidencial e ao próprio contexto socioeconômico do país”, aponta.

“Além disso, as avaliações da opinião pública e dos aparatos de mídia parecem ter se tornado mais rígidas do que em relação ao desempenho dos vice-presidentes do sexo masculino.”

Segundo a especialista, diversas pesquisas sobre o tema apontam que esse fenômeno é comum, quando se trata de figuras femininas ocupando cargos de liderança.

Kamala Harris (E) ao lado de sua irmã e de sua mãe

Kamala Harris (E) ao lado de sua irmã e de sua mãe

Reprodução/Instagram @kamalaharris

Responsável por temas "espinhosos"

A vice enfrenta dificuldades na agenda de imigração, uma das principais pautas que Biden atribuiu a ela. Em viagem à Guatemala, com o objetivo de conter os fluxos imigratórios, Kamala enfatizou que os EUA continuarão a proteger suas fronteiras. “Se vierem para nossa fronteira, serão mandados de volta (...) não venham”.

A fala contraditória, pelo fato de ela ser filha de imigrantes, desagradou os setores mais progressistas da sociedade americana, importantes para o partido Democrata.

Bárbara Motta, professora do curso de relações internacionais da Universidade Federal de Sergipe, explica que Kamala ficou responsável por um dos temas mais "espinhosos" da agenda americana.

“Esse é um tema de controle de danos, ela dificilmente vai conseguir agradar a todos os setores. O que percebemos é que a popularidade dela começa a cair mais em junho, no mesmo período que viajou para a América Central”, aponta Bárbara.

“Ela também está sendo muito cobrada porque nesse último ano o fluxo de imigração na fronteira dos Estados Unidos atingiu níveis bastante expressivos”, completa.

Próximos anos

A baixa popularidade de Kamala Harris não pode ser desvinculada com a baixa aprovação do presidente Joe Biden. Segundo a mesma pesquisa feita pelo USA Today e pela Universidade de Suffolk, o democrata conta com apenas 38% de aprovação.

A administração Biden/Harris enfrentou diversas dificuldades em seu primeiro ano de mandato, como a continuidade do agravamento da pandemia de Covid-19, a retirada mal-sucedida das tropas americanas do Afeganistão e, mais recentemente, a rejeição da reforma eleitoral pelo senado.

A professora Bárbara ressalta que, se os democratas quiserem continuar na Casa Branca na próxima eleição, há muito a ser pensado. “Principalmente se a Kamala Harris tiver o objetivo de aparecer nas próximas eleições como candidata à presidência”, afirma.

“Para esse ano e para os próximos, os principais desafios dela são reforçar o diálogo com o Biden, conseguir avançar na agenda política da imigração e ajustar a própria equipe para mostrar estabilidade.”

Apesar de Kamala aparecer como uma provável candidata à presidência em 2024, Biden, com 79 anos, insiste que irá se candidatar mais uma vez e diz que continuará com a mesma vice. Até o fim do mandato, o democratas devem escolher quem formará a próxima chapa do partido.

Relembre o primeiro ano da política externa de Joe Biden

Últimas