Era Trump
Internacional EUA negam intenção de suavizar pressão sobre Coreia do Norte

EUA negam intenção de suavizar pressão sobre Coreia do Norte

Assessor do presidente Trump, John Bolton diz que governo norte-americano não irá amenizar pressão para norte-coreanos pararem programa nuclear

John Bolton contestou matéria do New York Times

John Bolton contestou matéria do New York Times

Atef Safadi / EFE / 25.6.2019

O governo dos Estados Unidos negou nesta segunda-feira (1º) a hipótese de suavizar a pressão sobre a Coreia do Norte e propor a Kim Jong-un que suspenda o programa nuclear do país em vez de eliminá-lo completamente.

O assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, foi ao Twitter criticar o jornal "The New York Times", que ontem informou que a Casa Branca cogitava adotar uma postura menos rígida em relação ao programa nuclear norte-coreano. Para ele, a matéria buscava limitar a capacidade de negociação de Donald Trump.

Leia também: Trump se reúne com Kim Jong-un e se torna o primeiro presidente americano a entrar na Coreia do Norte

"Li essa matéria do 'NYT' com curiosidade. Nem eu nem os membros do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca conversamos sobre qualquer desejo de nos conformarmos com um congelamento nuclear por parte da Coreia do Norte. Esta foi uma tentativa reprovável para limitar o presidente", escreveu Bolton na rede social.

Na sequência, Bolton afirmou que deveria "haver consequências" para o jornal.

No domingo, o "Times" revelou que funcionários da Casa Branca estavam avaliando a possibilidade de pedir a Kim Jong-un que congele os programas nuclear, de mísseis e de armas químicas da Coreia do Norte, em vez de eliminá-los completamente.

Caso seja colocada em prática, essa proposta seria uma legitimação da Coreia do Norte como uma potência nuclear, o que mudaria o status quo do país no cenário internacional.

Desde que começou a negociar com Kim há mais de um ano, Trump vem reiterando que tem como objetivo a "desnuclearização completa e verificável" do regime de Kim.

Em setembro do ano passado, o secretário de Estado, Mike Pompeo, chegou a exigir que a Coreia do Norte eliminasse o programa nuclear desenvolvido pelo país antes de janeiro de 2021, quando termina o mandato de Trump.

Segundo o "Times", a nova ideia da Casa Branca poderia ajudar Trump a obter capital político para as eleições presidenciais de 2020, já que provaria que o presidente conseguiu fazer Kim recuar no programa nuclear norte-coreano.

O principal objetivo é fazer com que Kim desmantele totalmente o complexo de Yongbyon, o principal dentro do programa nuclear do país, em troca do fim de grande parte das sanções econômicas aplicadas pelo governo dos EUA.

Na cúpula entre os dois líderes no Vietnã, realizada no fim de fevereiro, Kim fez a mesma proposta a Trump, mas os negociadores americanos a rejeitaram.

Agora, esses mesmos negociadores, de acordo com o "Times", querem que Kim "amplie a definição" do que é o centro de Yongbyon além dos limites físicos do complexo, o que permitiria interromper o desenvolvimento de armas nucleares em outras instalações secretas.

Em 1994, o governo do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) colocou em prática, sem sucesso, uma estratégia similar com Kim Jong-il, pai de Kim Jong-un.

Clinton conseguiu que a Coreia do Norte interrompesse o programa nuclear por cinco anos, mas depois se soube que o regime de Pyongyang estava enriquecendo urânio, um dos requisitos para o desenvolvimento de bombas nucleares.