EUA pagarão R$ 63 mi em acordo judicial por morte de Breonna Taylor

Acordo é um dos maiores do gênero na história dos Estados Unidos. Medida não admite explicitamente irregularidades cometidas pela cidade

Tamika Palmer, mãe de Breona Taylor, durante processo judicial

Tamika Palmer, mãe de Breona Taylor, durante processo judicial

Bryan Woolston - Reuters 15.09.2020

A cidade de Louisville, no Estado norte-americano de Kentucky, vai pagar 12 milhões de dólares — aproximadamente R$ 63 milhões — à família de Breonna Taylor, uma mulher negra morta pela polícia durante operação em seu apartamento, para encerrar um processo judicial por homicídio culposo, disse o prefeito Greg Fischer nesta terça-feira (16).

O acordo é um dos maiores do gênero na história dos Estados Unidos, onde os departamentos policiais muitas vezes são protegidos de pagar indenizações por mortes ocorridas sob sua custódia.

A medida não admite explicitamente irregularidades cometidas pela cidade, mas será acompanhada por reformas no Departamento da Polícia Metropolitana de Louisville, incluindo a exigência de que os comandantes aprovem mandados de busca antes que estes sejam submetidos a um juiz, afirmou Fischer em uma entrevista coletiva.

Nenhum policial foi acusado criminalmente pela morte de Taylor, mas o procurador-geral de Kentucky, Daniel Cameron, um político negro do Partido Republicano, deve apresentar o caso a um grande júri nesta semana, segundo a imprensa local.

"Lamento profundamente a morte de Breonna", disse Fischer, que é branco, a repórteres. "Meu governo não está esperando para avançar com as reformas necessárias para evitar que uma tragédia como essa volte a acontecer."

Protestos

A morte de Taylor, ao lado da de George Floyd, homem negro morto por um policial branco de Mineápolis que ajoelhou em seu pescoço, deu origem a um dos maiores protestos da história dos EUA, com manifestações diárias em diversas cidades desde então.

O prefeito foi acompanhado pela família de Taylor e por ativistas locais, que disseram saudar o acordo, mas também exigiram que os policiais envolvidos no caso enfrentem acusações criminais.