Internacional EUA: pilotos cobraram Boeing sobre sistema 'oculto' antes de acidente

EUA: pilotos cobraram Boeing sobre sistema 'oculto' antes de acidente

Em reunião, sindicato cobrou da empresa explicações sobre sistema apontado como causa do acidente na Indonésia, em outubro de 2018

EUA: pilotos cobraram Boeing sobre sistema 'oculto' antes de acidente

Boeing 737 Max-8 da American Airlines voa antes da proibição, em março

Boeing 737 Max-8 da American Airlines voa antes da proibição, em março

Shannon Stapleton / Reuters / 12.3.2019

Membros de um sindicato de pilotos dos EUA confrontaram um representante da Boeing sobre um sistema 'oculto' nos aviões da linha 737 Max-8 logo após a queda de uma aeronave da Lion Air na Indonésia, em outubro do ano passado, que matou 189 pessoas. As informações são da CBS News, que teve acesso a um áudio da reunião.

A mesma função é considerada responsável pelo acidente com um avião do mesmo modelo, pertencente à Ethiopian Airlines, que caiu logo após a decolagem no início de março, com 157 pessoas a bordo, perto de Adis Abeba, capital da Etiópia.

Problemas no sistema

Nos dois casos, o sistema anti-stall conhecido como MCAS foi apontado como principal causa dos acidentes. Ambos ocorreram poucos minutos depois da decolagem, quando as aeronaves estavam em processo de subida para a altitude de cruzeiro.

O MCAS, acionado automaticamente sem interferência dos pilotos, tem como principal função evitar que o avião perca sustentação no ar. Nos casos da Indonésia e da Etiópia, o acionamento fez com que o nariz das aeronaves fosse apontado para baixo, jogando-as na direção do solo e causando as quedas.

Pilotos revoltados

O áudio mostra que os pilotos estavam furiosos após a queda do avião da Lion Air em Jacarta, especialmente porque eles nem mesmo tinham sido avisados de que o software do MCAS estaria instalado nas aeronaves.

"Aqueles caras nem mesmo sabiam que essa porcaria de sistema estava no avião. Ninguém mais sabia", diz um piloto. 

"Nós simplesmente merecemos saber o que tem nas nossas aeronaves", reivindica outro. 

"Somos a última linha de defesa que protege os passageiros de acabar num monte de destroços fumegantes. E precisamos conhecer as coisas", reclama outro piloto.

"Não discordo de vocês", diz um representante da Boeing, não identificado. "Mas não sei se conhecer o sistema teria evitado o acidente. Tentamos não sobrecarregar as tripulações com excesso de informações. Precisamos ter certeza que estamos consertando as coisas certas, para não perder tempo."

Atraso nas medidas

A reunião onde foi gravado o áudio aconteceu no fim de novembro passado, um mês depois do acidente na Indonésia. No entanto, os Boeing 737 Max-8 foram mantidos no ar até março deste ano, quando aconteceu o segundo acidente, na Etiópia e as aeronaves da linha foram impedidas de decolar. No total, 346 pessoas morreram nas duas quedas.

A gravação foi entregue ao jornal Dallas Morning News pelo presidente do sindicato dos pilotos da American Airlines, Dan Carey. A partir dela, a Justiça Federal dos EUA abriu um processo contra a Boeing, para apurar se os processos de segurança da empresa estão de acordo com a legislação.

"Nós, os pilotos, estamos pedindo respostas da Boeing porque devemos aos nossos passageiros e às 346 pessoas que perderam suas vidas fazer todo o possível para evitar uma nova tragédia. A empresa não tratou a situação como a emergência que era e é por isso que estmaos tomando medidas legais", explicou Carey em um comunicado.