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Internacional Festa na véspera de funeral real mergulha Boris Johnson em crise

Festa na véspera de funeral real mergulha Boris Johnson em crise

Serviços do primeiro-ministro pediram desculpas à rainha Elizabeth 2ª pelo evento realizado durante luto nacional 

  • Internacional | Do R7

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson é visto em Downing Street

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson é visto em Downing Street

Dylan Martinez/Reuters - 16.12.2021

Novas revelações sobre festas em Downing Street encerraram uma semana desastrosa para o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

Segundo o jornal conservador Daily Telegraph, até a madrugada de 17 de abril de 2021, período de luto nacional, o pessoal de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro, comemorava em grande estilo a saída de dois colaboradores: o diretor de comunicação James Slack, agora vice-diretor do jornal The Sun, e um fotógrafo pessoal de Johnson.

Enquanto isso, a rainha Elizabeth 2ª se preparava para enterrar o marido. Em uma das imagens que mais bem simbolizam o rigor dos confinamentos provocados pela Covid-19 no Reino Unido, a monarca, de 95 anos, aparece vestida de preto e sentada sozinha na capela do Castelo de Windsor durante o funeral do príncipe Philip, com quem foi casada por sete décadas.

Duas festas de Downing Street, uma das quais foi realizada em um sótão da sede do governo, acabaram se juntando nos jardins da residência oficial, segundo o jornal próximo do poder.

Uma pessoa foi enviada a um supermercado para comprar garrafas de vinho, que levou para o local em uma mala.

Naquele momento, estavam proibidas reuniões em locais internos, e no máximo seis pessoas podiam se juntar ao ar livre.

Desculpas

Nesta sexta-feira (14), os serviços do primeiro-ministro britânico se desculparam com rainha Elizabeth 2ª. "É profundamente lamentável que isso tenha ocorrido em um momento de luto nacional e o 10 [Downing Street] apresentou suas desculpas ao palácio", disse um porta-voz do líder conservador.

O pedido de perdão foi feito por meio dos canais oficiais. Em um comunicado, James Slack, o ex-diretor de comunicação, se desculpou "sem reservas pela raiva e pela dor causadas". Ele ainda disse que assumia "total responsabilidade".

Johnson, de 57 anos, não estava presente e se encontrava, segundo um porta-voz citado pelo Telegraph, em Chequers, a residência de campo dos chefes de governo britânicos.

Essas novas revelações, no entanto, se somam à já longa lista de festas organizadas nos círculos do poder durante os períodos de confinamento dos últimos dois anos. E mostram, segundo testemunhas citadas pela mídia, uma verdadeira cultura de bebida em Downing Street.

Os acontecimentos mergulharam ainda mais em crise o líder conservador, que, alegando que um membro de sua família contraiu Covid-19, não tem sido visto em público desde a quarta-feira (12), quando justificou no Parlamento sua presença em uma festa em maio de 2020.

Johnson passa pela pior fase desde sua ascensão triunfante ao poder, em julho de 2019. Em queda livre nas pesquisas, agora luta para manter as rédeas de seu partido e do governo.

"A rainha sentou-se sozinha, de luto, como tantas outras pessoas naquele momento, afetadas pelo trauma pessoal e pelo sacrifício, para respeitar as regras pelo interesse nacional", denunciou no Twitter Angela Rayner, número dois do Partido Trabalhista. 

Vários parlamentares conservadores juntaram-se à oposição para pedir a renúncia de Johnson. Andrew Bridgen foi o último a apresentar uma carta ao comitê que governa a organização parlamentar do Partido Conservador, denunciando um "vácuo moral no coração do governo" e pedindo uma moção interna de desconfiança contra seu líder. 

Se um número suficiente de cartas for recebido, o comitê terá que organizar uma nova primária para substituir Johnson. 

Enquanto isso, Johnson e seus ministros repetem que é preciso aguardar a publicação das conclusões, na melhor das hipóteses na próxima semana, de uma investigação interna sobre as festas ilegais.

Mas o jornal The Times já anunciou nesta sexta-feira (14) que a investigação não havia encontrado provas suficientes de crimes.

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