Internacional Forças do Iraque abrem fogo contra manifestantes e matam 14

Forças do Iraque abrem fogo contra manifestantes e matam 14

Fontes médicas e de segurança informaram que pelo menos 865 pessoas ficaram feridas. Chefe de polícia de Karbala negou mortes

Protestos Iraque

Manifestação em Karbala aconteceu de madrugada

Manifestação em Karbala aconteceu de madrugada

FURQAN AL-AARAJI/EFE - EPA - 28.10.2019

Forças de segurança do Iraque mataram ao menos 14 pessoas na cidade xiita sagrada de Karbala na madrugada desta terça-feira (29) depois de abrir fogo contra manifestantes, disseram fontes médicas e de segurança, retomando táticas denunciadas por um inquérito interno do próprio governo.

Ao menos 865 pessoas ficaram feridas, disseram as fontes. Três manifestantes morreram em Nassiriya, cidade do sul do país, em resultado de ferimentos sofridos em protestos anteriores.

O chefe do departamento de saúde de Kerbala disse que 122 se feriram, incluindo 66 membros das forças de segurança.

O chefe de polícia de Karbala negou em um comunicado que algum manifestante tenha sido morto e disse que só uma pessoa morreu em um incidente criminoso sem relação com os protestos, afirmando que as filmagens de forças de segurança disparando contra manifestantes que viralizaram nas redes sociais foram fabricadas e criadas para "incitar a rua".

Protestos no Iraque

Milhares de iraquianos foram às ruas nesta semana em uma segunda onda de protestos contra o governo do primeiro-ministro Adel Abdul Mahdi e uma elite política que acusam de corrupção. O saldo total de mortes desde 1º de outubro, o início dos tumultos, está em ao menos 250 pessoas.

Os tumultos, provocados pelo descontentamento com a penúria econômica e a corrupção enraizada, irromperam após quase dois anos de estabilidade relativa no Iraque, que foi vítima de uma ocupação estrangeira, uma guerra civil e uma insurgência do Estado Islâmico entre 2003 e 2017.

Membro da Opep, o Iraque desfruta de uma vasta riqueza petrolífera, mas muitos cidadãos vivem na pobreza ou têm acesso limitado a água limpa, eletricidade, serviços básicos de saúde e educação.

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