França dará apoio diplomático a Ghosn 'como a qualquer cidadão'

Secretária do governo francês falou nesta terça-feira sobre a fuga do ex-presidente da Renault e da Nissan, que tem cidadania francesa

Executivo chegou a ser preso no Japão

Executivo chegou a ser preso no Japão

Regis Duvignau/ Reuters - 20.11.2018

A secretária de Estado de Economia e Finanças da França, Agnès Pannier-Runacher, afirmou nesta terça-feira (31), após receber a notícia da fuga de Carlos Ghosn do Japão, que o ex-presidente da Renault e da Nissan contará com apoio diplomático como qualquer outro cidadão perseguido pela Justiça de um país estrangeiro.

"Se um cidadão estrangeiro escapasse da Justiça francesa, ficaríamos muito irritados, mas ele é um cidadão francês, terá o apoio diplomático garantido", disse Pannier-Runacher em entrevista à emissora France Inter.

Ghosn chegou na noite passada a Beirute, depois de fugir do Japão, onde estava em liberdade sob fiança enquanto aguardava um julgamento que poderia acarretar uma longa pena nas prisões japonesas.

Leia também: Ghosn fugiu do Japão escondido em caixa de instrumento musical, diz TV

Em declaração emitida pelo advogado, Ghosn — que tem as nacionalidades brasileira, libanesa e francesa — disse ter fugido de um "sistema jurídico japonês parcial onde existe uma presunção de culpa, a discriminação é generalizada e os direitos humanos são violados".

"Estou muito surpresa com as notícias. Ouvi falar disso na imprensa ontem à noite. Não estou fazendo nenhum comentário em particular porque ainda não entendemos o que aconteceu. Temos o dever de oferecer apoio diplomático a todos os cidadãos franceses", reafirmou a secretária.

Pannier-Runacher disse que o governo francês interveio "precisamente" para facilitar as condições da prisão de Ghosn, e destacou que o empresário não está nem acima nem abaixo da lei.

"Não acho que isso vai complicar o futuro da aliança. Tomamos decisões precisamente para acompanhar os novos líderes e virar a página", defendeu, elogiando o trabalho de Jean-Dominique Senard, que substituiu Ghosn no cargo de diretor-executivo da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi.

Segundo Pannier-Runacher, a prioridade do governo é o futuro da aliança e as "profundas transformações" da indústria automotiva, como a mudança dos motores e o veículo autônomo, assim como dos trabalhadores por trás deste setor na França.