França prevê mais restrições e testes para frear pandemia

Mais da metade do país registra incidência de covid-19 superior ao limite estabelecido pelo governo, que é de 50 novos casos por 100 mil habitantes

Procura por testes de covid aumentou no país

Procura por testes de covid aumentou no país

Christian Hartmann/Reuters

O governo francês admitiu nesta quinta-feira (17) que o coronavírus circula "muito ativamente" no país e previu um endurecimento nas restrições, além da realização de mais exames para conter o avanço da pandemia, que já está perto de 10 mil novas infecções por dia.

Na primeira das aparições semanais à imprensa em que o ministro da Saúde, Olivier Véran, apresentará, a partir de agora, o balanço da situação, seu diagnóstico foi claro: “Todos os indicadores mostram uma evolução”.

A taxa de incidência já chega a 83 casos por 100 mil habitantes, ante 40 no final de agosto, 25 em meados daquele mês e 10 em julho.

Cinquenta e três departamentos da França, mais da metade do país, ultrapassaram o nível de alerta para incidência, fixado em 50 novos casos por 100 mil habitantes.

Embora a circulação atual do vírus seja três vezes inferior à da primavera passada, no auge da epidemia, as autoridades francesas reconheceram a necessidade de intensificar os esforços.

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O fechamento de bares ou a proibição de grupos públicos são algumas possibilidades.

O executivo pediu, por exemplo, a delegados governamentais dos departamentos do Ródano e Alpes-Marítimos, cujas capitais são Lyon e Nice, com taxas de incidência de 197 e 146 casos, respectivamente, que proponham novas medidas de contenção da doença até sábado.

O objetivo é conter o avanço do vírus e limitar o impacto sobre o sistema de saúde.

Estratégia

A estratégia geral das autoridades se baseia no respeito da do distanciamento físico e no uso da máscara, na realização de testes, numa ação adaptada à realidade de cada território e na proteção das pessoas mais vulneráveis.

França passou a limitar testes para covid-19

França passou a limitar testes para covid-19

Eric Gaillard/Reuters

Embora a França tenha realizado 1,2 milhão de testes em uma semana, as filas nos laboratórios refletem a saturação do sistema

Um colapso ante o qual se fixou nesta quinta-feira uma lista de pessoas prioritárias: quem recebe receita médica, quem tem sintomas, quem é contato de risco e profissionais de saúde.

Na região de Paris, serão instalados 20 centros para a realização desses exames prioritários, além dos 590 gerais já existentes, e que terão capacidade para 500 exames diários.

O governo também está comprometido com o teste de antígenos como alternativa e suporte para PCR. São mais rápidos do que estes últimos, com resultados em cerca de 30 minutos, uma confiabilidade em torno de 90%, e também começarão a ser testados na região de Paris.

"Já fizemos os primeiros pedidos de quase cinco milhões de testes, que chegarão daqui no início de outubro", disse Véran, acrescentando que também aguardam o parecer da Alta Autoridade de Saúde para determinar a quem e em quais condições poderão ser realizados testes de saliva.

Responsabilidade coletiva

O governo lembrou que a responsabilidade é coletiva: “Cada um de nós é um protagonista da luta contra o vírus”, disse o ministro, que alertou para o fato de as reuniões de familiares e de amigos serem uma “maciça” fonte de contágio.

Suas palavras chegam no momento em que foram superados 10 mil novos casos nas últimas 24 horas, com 10.593, elevando para 415.481 o número de positivos desde o início de uma epidemia que na França também causou 31.095 mortes, das quais 50 no último dia.

O impacto, segundo Véran, é "real e visível", não só entre os que têm 15 a 45 anos, mas também entre os maiores de 65 anos.

Apesar de tudo, destacou-se que o maior conhecimento do vírus demonstra que o risco de transmissão existe principalmente de adulto para adulto e de adulto para criança, mas muito raramente entre crianças ou de uma criança para um idoso, informação que permite amenizar o protocolo nas escolas.

“Quando uma criança dá positivo, ela deve ficar isolada em casa por sete dias, mas as outras crianças da turma poderão continuar indo à escola. Não há razão para mandar alunos para casa ou fechar estabelecimentos no primeiro alerta”, concluiu.

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