EUA x Irã

Internacional General do Irã morto pelos EUA foi responsável por milhares de mortes

General do Irã morto pelos EUA foi responsável por milhares de mortes

Grupo comandado por Qasem Soleimani organizou milícias assassinas em países como Iraque e Síria nas últimas duas décadas

  • Internacional | Fernando Mellis, do R7

Soleimani, com o presidente do Irã, Hassan Rohani

Soleimani, com o presidente do Irã, Hassan Rohani

Divulgação/Presidência do Irã

Em mais de 20 anos no comando da Força Quds, unidade especial da Guarda Revolucionária Iraniana, o major-general Qasem Soleimani, de 62 anos, foi acusado por governos estrangeiros de envolvimento em milhares de mortes no Oriente Médio.

O militar foi assassinado na noite de quinta-feira (2), em um ataque norte-americano no Iraque.

O governo dos Estados Unidos acusa as milícias chefiadas por Soleimani de serem responsáveis pelas mortes de centenas de soldados americanos no Iraque.

O Pentágono afirmou em comunicado que "o general Soleimani estava ativamente desenvolvendo planos para atacar diplomatas americanos e membros de serviço no Iraque e na região".

Também o acusam de ter aprovado o ataque de manifestantes à embaixada norte-americana em Bagdá, na terça-feira (31), e o atentado contra uma base militar dos EUA no Iraque, no mês passado, que matou um terceirizado. 

Na Síria, os grupos dele foram enviados para ajudar o ditador Bashar al-Assad, a partir de 2011, com o início da guerra civil. A proteção incluía ataques dos milicianos ao povo sírio que se opunha ao governo de Assad.

Recentemente, o militar era responsável por supervisionar o extermínio de outras centenas de manifestantes anti-Irã em território iraquiano.

A história de Qasem Soleimani caminha junto com a da revolução que levou o Irã a se tornar uma teocracia xiita, em 1979. Naquela época, ele se juntou ao exército e começou a ganhou status de herói nacional por sua participação na guerra do Irã e Iraque (1980-1988).

O grupo chefiado por ele desde 1998, a Força Quds é responsável por realizar atividades clandestinas de guerra e inteligência em áreas de interesse do governo iraniano. Até sua morte, o major-general se reportava diretamente ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

No Iraque, grupos da Força Quds foram descritos em documentos norte-americanos como "esquadrões da morte xiitas".

A unidade sob o comando de Soleimani foi acusada pelo governo dos EUA de envolvimento direto na captura e morte de quatro soldados americanos em Carbala, no Iraque, em janeiro de 2007. No mesmo ano, o grupo foi acusado de promover um ataque a bomba em um mercado de animais no centro de Bagdá.

O Pentágono afirma que a força comandada por Soleimani treinou rebeldes para fabricar e instalar bombas em estradas durante a invasão americana no Iraque, o que teria resultado na morte de em torno de 600 soldados dos Estados Unidos.

A Força Quds foi classificada como organização terrorista por diversos países, incluindo os Estados Unidos, Israel, Canadá, Arábia Saudita e Barein.

O major-general foi acusado pelo governo dos EUA de planejar o assassinato do embaixador da Arábia Saudita no país, Adel Al-Jubeir, em 2011.

A morte de Qasem Soleimani, em um bombardeio dos Estados Unidos ao comboio em que ele estava, próximo ao aeroporto de Bagdá, retira de cena o mais importante estrategista da influência iraniana no Oriente Médio, o chamado eixo xiita.

No entanto, especialistas ouvidos pelo R7 afirmam que a resposta do Irã aos Estados Unidos não deve ser sutil. A perda de um oficial militar desse nível prejudica profundamente o país persa e sua tentativa de hegemonia na região.

Em nota, o presidente do Irã, Hassan Rohani, lamentou a morte de Soleimani e prometeu retaliação. "Sem dúvida, a vingança por esse crime hediondo será tomada pela grande nação e por outras nações livres da América criminosa", afirmou.

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