Internacional Governo da Bolívia revoga lei polêmica alvo de protestos no país

Governo da Bolívia revoga lei polêmica alvo de protestos no país

Manifestações forçaram o presidente Luis Arce a voltar atrás com projeto considerado invasivo para parte dos bolivianos

Agência EFE
Luis Arce (à dir.), pressionado pela população, voltou atrás com projeto lei

Luis Arce (à dir.), pressionado pela população, voltou atrás com projeto lei

EFE/Stringer - 13.11.2021

A Bolívia teve retomada progressiva de atividades ao longo desta quarta-feira (17), após a revogação da polêmica Lei nº 1386, sobre a legitimação de ganhos ilícitos e o financiamento ao terrorismo — proposta que acabou resultando em uma greve realizada ao longo de vários dias por diversos setores da economia nacional.

No departamento de Santa Cruz, onde aconteceram os principais protestos motivados pelo projeto, foi mantido o estado de mobilização dos manifestantes, embora os atos tenham perdido força.

Na região, ao longo do dia, a normalidade foi sendo retomada, com intenso tráfego de veículos e pessoas nas ruas, depois do pronunciamento do Comitê Cívico de Santa Cruz, que recomendou o fim da paralisação.

Em Potosí, outro dos principais focos de manifestação, a greve também foi encerrada. No entanto, mesmo a atividade social ainda era muito reduzida no início da tarde. Em Sucre e Cochabamba, alguns setores mantiveram as paralisações, mas anunciaram a realização de reuniões de avaliação, embora já tenha sido antecipado que o estado de mobilização permanece.

"Avaliamos as perdas causadas pela greve em algumas cidades e analisamos medidas para revertê-las", escreveu no Twitter o presidente da Bolívia, Luis Arce, prometendo minimizar os danos à economia nacional.

Tensão nas ruas

O governo da Bolívia promulgou na noite da última terça-feira (16) o decreto que anula a Lei nº 1.386, que era uma das reivindicações dos setores mobilizados, para encerrar a greve iniciada nos últimos dias.

"Com esforço e dignidade, o povo trabalhador derrota os afãs golpistas de cívicos racistas e direitistas, que, com greves violentas, atentam contra a economia da Bolívia", escreveu o ex-presidente Evo Morales, no Twitter.

A paralisação, promovida por comerciantes, pelo setor de transporte e plataformas de oposição, foi considerada pelo governo "uma nova tentativa de golpe de Estado" no país, o que repetiria o que aconteceu em 2019, segundo a visão de Arce e aliados.

Apesar da revogação da lei, algumas entidades estão organizando uma manifestação que visa a alterações no funcionamento das votações no Congresso, que poderiam derrubar algumas leis propostas pelo governo.

Por sua vez, organizações sociais ligadas ao governo também estão programando atos em cidades como El Alto, Santa Cruz e Chuquisaca, em apoio ao governo de Arce.

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