Internacional Governo peruano tem 1ª baixa com renuncia do ministro do Interior

Governo peruano tem 1ª baixa com renuncia do ministro do Interior

Rubén Vargas permaneceu apenas 14 dias no cargo em meio a um contexto de mal-estar entre ex-comandantes militares e policiais

  • Internacional | Da AFP

Presidente do Peru, Francisco Sagasti

Presidente do Peru, Francisco Sagasti

REUTERS/Sebastian Castaneda - 19.11.2020

O ministro peruano do Interior, Rubén Vargas, renunciou nesta quarta-feira (2), após receber criticas por uma reforma policial, tornando-se a primeira baixa do novo governo de Francisco Sagasti.

Vargas permaneceu apenas 14 dias no cargo e entregou sua carta de renúncia à presidente do Conselho de Ministros, Violeta Bermúdez, após ser duramente questionado pela oposição parlamentar e pela imprensa por causa de uma proposta de reforma do chefe da polícia e outros 17 generais como parte de uma renovação institucional.

Francisco Rafael Sagasti é o terceiro presidente do Peru em uma semana

"Apresento ao seu gabinete minha renúncia imediata como titular do Ministério do Interior. Somos totalmente conscientes de que esta gestão para melhorar nossa Polícia Nacional do Peru não se esgota com a designação de um ministro", escreveu Vargas em carta difundida por jornalistas nas redes sociais.

O Congresso preparava um pedido de interpelação, seguido de uma eventual censura nos próximos dias.

Em sua carta, Vargas defendeu as demissões da cúpula policial e ressaltou que ocorreram para que a polícia recuperasse a confiança da cidadania.

A renúncia ocorre em um contexto de mal-estar entre ex-comandantes militares e policiais pela forma como o governo pretende reformar a polícia.

A isto se soma o boato de uma greve da polícia em repúdio à medida e denúncias de corrupção.

Vargas é o sexto ministro do Interior do Peru de 2020, um reflexo da crise institucional que o país atravessa.

A covid-19 atingiu de forma notável a polícia: mais de 500 agentes morreram e 33.700 se contagiaram, segundo cifras oficiais.

O presidente Sagasti ordenou em 24 de novembro uma reforma policial para a qual nomeou um novo chefe na instituição e deu baixa a 18 generais.

As mudanças foram apresentadas como reação à violenta repressão contra manifestantes, que deixou dois jovens mortos e mais de uma centena de feridos durante os protestos de 14 de novembro contra o governo de Manuel Merino, que durou apenas cinco dias.

O ministro demissionário tinha assumido a pasta em 19 de novembro e o presidente Sagasti lhe tinha ratificado sua confiança no domingo, descartando uma renúncia.

"Não estamos para entradas, saídas, nem jogos de xadrez em um momento tão crítico por um grupo de oficiais inconformados, a maioria dos quais é questionada", disse o presidente em entrevista a quatro emissoras de televisão.

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