Greve de médicos dificulta combate à covid-19 na Coreia do Sul

Aumento nos cursos de medicina leva milhares de médicos, residente e estagiários a fazer uma paralisação de 3 dias, enquanto país tem novo surto

Médico em greve segura cartaz na porta de um hospital em Seul, na Coreia do Sul

Médico em greve segura cartaz na porta de um hospital em Seul, na Coreia do Sul

Jeon Heon-kyun / EFE - EPA - 26.8.2020

Dezenas de milhares de médicos residentes e estagiários iniciaram nesta quarta-feira (26) uma greve de três dias na Coreia do Sul, como forma de protesto contra o aumento das taxas nas faculdades de medicina, uma ação que complica a luta contra o novo coronavírus, em um momento em que o país experimenta um aumento de casos.

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A medida também causou a interrupção de serviços médicos, como consultas e cirurgias, informa a agência de notícias "Yonhap". Embora não haja números exatos para o movimento, a greve é apoiada pela Associação Médica Coreana (KMA), que tem cerca de 130 mil membros.

Tensões com o governo

O Ministério da Saúde e Bem-Estar ordenou aos médicos que apoiam a greve na região da capital que voltem aos seus cargos. O país tem passado por um aumento de novos casos de covid-19 nas últimas semanas, com 229 novos infectados confirmados hoje.

O ministério advertiu que aqueles que violarem a ordem podem ter suas certificações revogadas e serem presos por mais de dois anos ou multas de até quase 30 milhões de wons (cerca de R$ 141 mil).

O governo afirmou que a reforma para aumentar o número de alunos nas faculdades de medicina (que incluía o aumento nas matrículas) foi congelada até que a pandemia termine e está em negociações com a KMA.

No entanto, apesar das negociações, o órgão que representa os médicos residentes e estagiários disse que continuará com a greve até que o governo cancele totalmente seus planos.

Os dias de paralisação aleatória acontecem desde o início de agosto, com alguns médicos em greve por tempo indeterminado desde a semana passada.

No entanto, a greve desta quarta é a maior convocada desde que o número de pacientes com covid-19 começou a aumentar, a partir do último dia 14.