Internacional Grupos políticos convocam manifestações na Argentina em repúdio ao ataque a Kirchner

Grupos políticos convocam manifestações na Argentina em repúdio ao ataque a Kirchner

Epicentro dos protestos será na Plaza de Mayo, em Buenos Aires; brasileiro tentou atirar no rosto da vice-presidente quando ela chegava em casa na última quinta-feira (1º)

AFP

Resumindo a Notícia

  • Presidente argentino decretou ferido nacional após o ataque
  • Nesta sexta-feira, uma vigília foi realizada no local do atentado
  • Por motivos ainda não conhecidos a arma não efetuou os disparos
  • Ataque foi repudiado por líderes latino-americanos e pelo chefe do Governo espanhol
Apoiadora da vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em manifestação

Apoiadora da vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em manifestação

Agustin Marcarian/Reuters - 01.09.2022

Grandes manifestações foram convocadas por organizações políticas e sindicais próximas ao governo nesta sexta-feira (2) em toda a Argentina, com epicentro na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, em repúdio à tentativa de homicídio contra a vice-presidente Cristina Kirchner.

O atentado com arma de fogo contra Kirchner, perpetrado por um homem que aparentemente agiu sozinho, foi considerado pelo presidente Alberto Fernández como o incidente mais grave desde o retorno à democracia em 1983.

A coalizão governista Frente de Todos (peronista, centro-esquerda) convocou uma marcha até a Plaza de Mayo "em defesa da democracia" em um dia que foi declarado feriado nacional.

"Cristina continua viva porque, por um motivo que ainda não foi confirmado tecnicamente, a arma que tinha cinco balas não disparou apesar de ter sido acionada", disse o presidente em um discurso à meia-noite.

A Argentina está em estado de choque desde a noite da última quinta-feira, quando um homem, que foi preso, apontou uma arma à queima-roupa e tentou atirar no rosto de Kirchner na porta de sua casa no bairro da Recoleta, em Buenos Aires.

Nesta sexta-feira, uma vigília foi realizada no local em meio a uma forte presença policial que isolou a área.

"Estávamos esperando nossa querida Cristina. Ela desceu para cumprimentar todo mundo, como todas as noites, para cumprimentar as pessoas. E de repente ouviu-se uma agitação, e foi aquele cara que apontou para ela. Eles o agarraram do meu lado, tenho o rosto deste infeliz pregado na minha cabeça", disse à AFP Teresa, que não quis dar seu sobrenome em frente à casa da vice-presidente.

O agressor esgueirou-se entre a multidão de militantes que esperavam para manifestar sua solidariedade à ex-presidente (2007-15), em uma manifestação que se repete todas as noites desde 22 de agosto, quando o Ministério Público pediu 12 anos de prisão para ela em um julgamento em que é acusada de fraude e corrupção.

Martín Frías, outro partidário de Kirchner de 48 anos, disse à AFP que com este fato "o inimigo é mais conhecido, mas a luta não se abandona. Significa tomar maiores precauções, mas com as mesmas convicções de sempre".

A juíza María Eugenia Capuchetti e o promotor Carlos Rivolo, encarregado da investigação do ataque, fizeram uma inspeção nesta manhã na área onde ocorreu o ataque.

Repúdios


O detido, chamado Fernando André Sabag Montiel, de 35 anos, é de nacionalidade brasileira, de mãe argentina e pai chileno. Ele reside na Argentina desde 1993.

Ele já havia sido detido em 17 de março de 2021 por porte de armas não convencionais, segundo fontes policiais citadas pela agência de notícias oficial Télam.

O ataque foi repudiado por líderes latino-americanos e pelo chefe do Governo espanhol, bem como pela porta-voz do Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas, Ravina Shamdasani.

"Estamos cientes, estamos chocados e estaremos monitorando de perto a situação", disse Shamdasani a repórteres em Genebra.

"Qualquer tipo de violência política é repreensível e é importante abordar as diferenças por meio do diálogo, certamente não dessa maneira", acrescentou.

Quase todo o arco político argentino rejeitou o ataque, incluindo o ex-presidente Mauricio Macri, líder da oposição, bem como a poderosa União Industrial Argentina e a Suprema Corte de Justiça.

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