Terror na Europa
Internacional Hashtag "Eu não sou Charlie" cria controvérsia nas redes sociais

Hashtag "Eu não sou Charlie" cria controvérsia nas redes sociais

Movimento faz apologia aos limites da liberdade de expressão e a luta contra a xenofobia

Hashtag "Eu não sou Charlie" cria controvérsia nas redes sociais

Ultima charge do jornal Charlie Hebdo fazia menção aos ataques terroristas

Ultima charge do jornal Charlie Hebdo fazia menção aos ataques terroristas

Reprodução/Twitter

 O atentado ao jornal satírico Charlie Hebdo provocou um conflito de opiniões entre internautas do mundo todo. Caraterizado com a frase ‘’Je suis Charlie’’, hashtag mais usada no Twitter com 3.937.553 tuites (6500 menções por minuto), desde a quarta-feira(7), há quem diga que o foco do movimento está errado.

Nas redes sociais uma nova hashtag denominada “#jenesuispacharlie” traduzida como “Eu não sou Charlie” toma força defendendo novos pilares como consequência dos atentados na França. 

As bandeiras deste novo movimento, que já obteve 43,269 tuites nesta semana, defendem os limites da liberdade de expressão, a luta contra a islamofobia e até o respeito às diferenças religiosas.

Fundador do partido de extrema direita, Frente Nacional francesa, Jean-Marie Le Pen, é um adepto da nova hashtag e manifestou que também "Não é Charlie". Ele afirmou estar triste pela morte dos jornalistas e as outras vítimas do atentado, mas que isso não irá justificar a ideologia do jornal ao qual definiu como anarcotrotskista e contrário à moral política.

Xenofobia

Internautas fazem ainda menção sobre as manifestações de ódio realizadas pelos terroristas e afirmam que estas não devem ser relacionadas de forma alguma à cultura islâmica.

Identificada como Lyne Mneimneh, na rede social, a internauta acompanhou seu tuite pela seguinte frase: “Sou muçulmana, mas sou contra o terrorismo e sou também contra a ignorância e o racismo”.  Já o americano Ahmad Hussain identificou seus tuítes com a hashtag #JeSuisAhmed (Eu sou Ahmed) lembrando a morte do policial muçulmano Ahmed Merabet que recebeu um tiro na cabeça pelos terroristas na manhã do atentando ao jornal Charlie Hebdo.

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Liberdade de Expressão ou Desrespeito

O estilo satírico e particular do jornal Charlie Hebdo provocou também discussão entre os internautas. Diversas publicações criticaram as charges do jornal justificando que nenhuma liberdade de expressão deve ferir crenças religiosas ou tradições culturais.

A internauta Audrey Terra fez apologia à situação no seu tuíte: “#JeNeSuisPasCharlie Seja quem for ou Governo/Instituição que for, se humilha o "deus" do outro, não me representa! #PazDependeDeRespeito” desabafou na rede.

Por outro lado, para alguns franceses, o olhar dos internautas pode desconsiderar certas caraterísticas próprias do país e da sua cultura. Geraldine Garance, produtora audiovisual francesa que reside em Paris há 24 anos, afirma que o jornal Charlie Hebdo representava um monumento significativo da cultura francesa. Por ser um jornal sem publicidade, seu senso de humor irreverente caracterizava o estilo cultural de muitos cidadãos.

Ela defende que o jornalismo precisa ser crítico e se expressar de forma livre. Sobre as críticas ao Islã, Geraldine defende: “Eles estavam no seu direito. Fizeram o mesmo com todas as religiões. O atentado significou a opressão à liberdade de expressão e negou o direito à vida humana. Justificar que algum tire a vida do outro por uma charge ou um texto é algo muito errado”, declara.

A produtora fez também um pedido aos internautas sobre a apologia ao ódio e racismo contra a cultura muçulmana.  “Precisamos entender que todo muçulmano não é terrorista e deixar do lado o medo. Mas também devemos evitar entender as coisas por nós mesmos e criar um senso crítico”. Segundo Geraldine, a xenofobia e leis opressoras só poderiam converter França em uma ditadura e enquanto o país é uma democracia os seus cidadãos pretendem lutar para esquecer o passado e deixar de lado o medo.