Novo Coronavírus

Internacional Holanda vive 'caos' das máscaras após contradição do governo

Holanda vive 'caos' das máscaras após contradição do governo

País nunca recomendou uso da proteção facial contra o coronavírus, mas agora adota outro posicionamento (também polêmico)

Governo transferiu para comércio o poder de exigir o uso de máscaras

Governo transferiu para comércio o poder de exigir o uso de máscaras

Imane Rachidi/EFE

Após meses recusando-se a solicitar o uso de máscaras, por considerá-las ineficazes contra o coronavírus, o governo holandês se contradisse e agora as recomenda desde terça-feira (29) nas grandes cidades.

A determinação ainda transfere às lojas o poder de exigir seu uso, medida polêmica, já que nem todas as empresas aceitam impor.

Na terça-feira, novas medidas nacionais entraram em vigor para conter as infecções, que dispararam nas últimas duas semanas.

Elas incluem  fechamento da hotelaria antes das 22h, a proibição de público em eventos esportivos, o limite de três convidados para residências particulares e orientação sobre o uso de máscaras nas lojas das grandes cidades.

Embora todas as medidas tenham provocado reações entre as partes afetadas, o ponto mais polêmico é a máscara.

Leia também: Máscaras também podem reduzir gravidade da covid-19, conclui estudo

Desde o início da pandemia, o Executivo recusou-se a pedir aos cidadãos o seu uso porque, argumentou, "não têm valor adicional" para travar as infecções e podem até criar uma "falsa sensação de segurança" que faz com que a distância social necessária seja esquecida.

Tendo considerado o uso das máscaras pouco úteis desde março e defendido seu uso de maneira sutil, a estratégia de comunicação oficial levantou críticas.

Questionado na segunda-feira se iria usar máscara para ir ao supermercado, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, respondeu: "Bem, eu não tinha pensado nisso, mas suponho que sim."

O ministro da Saúde, Hugo de Jonge, reconheceu que não acredita que as máscaras vão fazer uma grande diferença no combate às infecções, mas que “tem que tentar de tudo”.

O Parlamento holandês também não exigirá o uso de máscara de parlamentares ou visitantes do edifício de Haia. Sua presidente, Khadija Arib, ressaltou que quem quiser usá-lo "deve se sentir à vontade para fazê-lo".

Supermercados como agentes da lei?

Muitas lojas não vão barrar clientes sem máscara

Muitas lojas não vão barrar clientes sem máscara

Koen van Weel/EPA/EFE

O governo apresentou o uso de máscaras como "uma recomendação urgente" em Haia, Amsterdã e Roterdã — as grandes cidades e as mais afetadas pelos surtos — mas as redes varejistas holandesas não parecem muito dispostas a exigir que seus clientes respeitem a medida.

O Rijksmuseum e o Museu Van Gogh, de Amsterdã, junto com a loja de departamentos De Bijenkorf, optaram por exigir o uso de máscaras para maiores de 13 anos, mas há muitas organizações comerciais que alertam que "não barrarão ninguém, a menos que haja uma obrigação oficial" de usar uma máscara, disse Eus Peters, diretor do Conselho de Varejistas.

Em nota, a Agência Central de Alimentos, que representa os supermercados holandeses, ressaltou que as lojas “apoiam a recomendação do governo de usar máscara nas lojas das grandes cidades, mas deixam a escolha para os clientes para "evitar confrontos"

A indústria de restaurantes de Amsterdã também não vai forçar seu uso. "Teríamos preferido que as máscaras fossem obrigatórias e que pudéssemos fechar mais tarde", disse Pim Evers, da associação Koninklijke Horeca Nederland.

Últimas