Internacional Homem negro é absolvido após 43 anos preso injustamente nos EUA

Homem negro é absolvido após 43 anos preso injustamente nos EUA

Kevin Strickland foi condenado à prisão perpétua por um júri popular por suposta participação no fuzilamento de três pessoas

AFP
Strickland é uma das pessoas que ficou mais tempo preso injustamente na história dos EUA

Strickland é uma das pessoas que ficou mais tempo preso injustamente na história dos EUA

Michael Reynolds / EPA / EFE / 22.3.2019

Um afro-americano de 62 anos foi absolvido e libertado nesta terça-feira (23) por um tribunal do estado do Missouri, nos Estados Unidos, após passar 43 anos atrás das grades por um erro judicial.

Kevin Strickland havia sido condenado em 1979 à prisão perpétua por um júri popular composto exclusivamente por brancos por um triplo assassinato ocorrido no ano anterior em Kansas City, a cidade mais populosa do estado.

Strickland sempre alegou firmemente inocência e, no início deste ano, o escritório do procurador do condado de Jackson, que inclui Kansas City, decidiu que ele havia sido condenado por erro. Depois de revisar o caso, o juiz James Welsh ordenou nesta terça-feira (23) a libertação imediata do condenado.

A exoneração de Strickland o torna um dos presos que passou mais tempo atrás das grades nos Estados Unidos após ser condenado injustamente. Segundo o Registro Nacional de Exonerações, feito pelas universidades Califórnia Irvine e Michigan, cerca de 2.500 pessoas que foram absolvidas pela Justiça nos EUA nos últimos 30 anos passaram uma média de 13,9 anos na prisão, com um máximo de 47 anos e dois meses.

Strickland foi declarado culpado em um segundo julgamento, depois que o primeiro foi considerado nulo, pelo assassinato de três pessoas que foram amarradas e fuziladas em 25 de abril de 1978.

A única sobrevivente da chacina, Cynthia Douglas, identificou Strickland como um dos quatro homens responsáveis pelo crime, mas depois corrigiu o testemunho. Dois dos condenados pelos assassinatos disseram que Strickland não estava envolvido no crime e identificaram outros dois homens como participantes.

Tampouco havia evidência que vinculasse Strickland à chacina, e ele também apresentou um álibi de onde se encontrava no momento do crime. "Strickland foi condenado somente pelo testemunho de Douglas, que posteriormente se retratou de suas declarações", afirmou o juiz.

"Nestas circunstâncias únicas, a confiança do Tribunal na condenação de Strickland está tão abalada que não se sustenta, e a sentença condenatória deve ser anulada. [...] O Tribunal ordena a libertação imediata de Strickland", acrescentou.

Por sua vez, o procurador do condado de Jackson, Jean Peters Baker, louvou a decisão do juiz. "Isso traz justiça, finalmente, para um homem que tragicamente sofreu muito como resultado desta condenação injusta", disse Baker em comunicado.

A organização Midwest Innocence Project, responsável pela defesa no caso de Strickland, lançou uma campanha de arrecadação de fundos na internet para ajudá-lo a começar uma nova vida.

Strickland revelou em uma entrevista anterior ao Washington Post que, assim que estivesse livre, gostaria de visitar o túmulo da mãe, que faleceu neste ano, e ver o mar pela primeira vez.

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