Internacional Homens armados sequestram 140 estudantes em escola da Nigéria

Homens armados sequestram 140 estudantes em escola da Nigéria

Apenas 25 dos alunos de uma escola interna em Kaduna, no noroeste do país, conseguiram escapar dos sequestradores

AFP
Chinelos usados pelos estudantes ficaram jogados pelo chão do alojamento

Chinelos usados pelos estudantes ficaram jogados pelo chão do alojamento

Kehinde Gbenga / AFP - 5.7.2021

Homens armados sequestraram 140 estudantes na região noroeste da Nigéria, na madrugada de segunda-feira (5), segundo informou um professor, no episódio mais recente de uma longa lista de ações do tipo contra centros de ensino.

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Os criminosos armados escalaram uma cerca para entrar no internato da Bethel Secondary School, na cidade dede Chikun, estado de Kaduna, onde dormiam 165 alunos.

"Os criminosos levaram 140 estudantes, 25 conseguiram escapar", disse à AFP Emmanuel Paul, professor da escola.

Este foi o terceiro grande ataque em Kaduna nos últimos três dias, e o quarto sequestro de estudantes, desde dezembro.

No domingo (4), ao menos oito funcionários de um hospital do estado foram sequestrados, segundo a polícia. Fontes locais afirmam, no entanto, que 15 pessoas foram feitas reféns.

Sete pessoas morreram em ataques no domingo à noite em cidades vizinhas, informou o secretário de Segurança do governo de Kaduna, Samuel Aruwan.

Grupos criminosos aterrorizam as regiões noroeste e central do país mais populoso da África, com ataques a cidades, roubo de gado e sequestro de personalidades locais, ou viajantes, para exigir o pagamento de resgate.

Eles operam de acampamentos localizados na floresta de Rugu, que se estende pelos estados nigerianos de Zamfara, Katsina e Kaduna, assim como pelo Níger.

Desde o início do ano, parecem ter estabelecido como alvo escolas, institutos e universidades.

Posição firme

O governador de Kaduna, Nasir Ahmad El Rufai, é um dos líderes políticos que mais insistem na mensagem de não se pagar resgate aos grupos criminosos, e também ameaçou multar qualquer pessoa que o faça, com o objetivo de não incentivar os sequestros.

"A posição firme adotada por El Rufai de não pagar começa a ser imitada na região, e outros governos estão adotando essa estratégia", comentou com a AFP Idayat Hassan, diretora do Centro para a Democracia e o Desenvolvimento, com sede em Abuya.

"El Rufai é considerado como um inimigo que deve ser castigado", acrescentou, para explicar o número crescente de ataques nesse estado.

Ao não conseguirem garantir a segurança nas escolas, vários estados do noroeste da Nigéria fecharam a maioria dos internatos das escolas públicas e enviaram milhares de jovens para casa.

"Em um país com 13,2 milhões de crianças fora da escola, o maior número do mundo, esses sequestros só pioram a situação", acrescentou a pesquisadora.

Além disso, muitos especialistas se preocupam com a possível aproximação entre os grupos criminosos do nordeste e os grupos extremistas Boko Haram e Estado Islâmico da África Ocidental (ISWAP), que combatem o exército nigeriano há mais de 12 anos no nordeste da Nigéria.

No entanto, Nmadi Obasi, analista do International Crisis Group (ICG), apontou que "não há nenhuma evidência de que esses ataques contra escolas sejam motivados por apoios políticos ou ideológicos".

"Os motivos parecem ser apenas financeiros e criminosos", destacou.

O presidente nigeriano Muhammadu Buhari, de 78 anos, foi muito criticado pela sua gestão econômica e de segurança.

"Rejeitar pagar o resgate não é uma solução para acabar com os sequestros", afirmou Obasi. "Falta uma estratégia para impedir esses ataques, salvar as vítimas e levar os responsáveis à Justiça".

Desde dezembro, cerca de 1.000 estudantes foram sequestrados em diferentes estados nigerianos. A maioria foi libertada após negociações com autoridades locais, mas alguns continuam detidos. Até o momento, nenhum responsável foi preso ou julgado.

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