Hospitais de Nova York estão a 10 dias de entrar em crise, diz prefeito

Com maior número de casos nos EUA, cidade tem dificuldades para conseguir respiradores para todos os pacientes, alerta prefeito Bill de Blasio

De Blasio disse que a pandemia é a maior crise nos EUA desde a Grande Depressão

De Blasio disse que a pandemia é a maior crise nos EUA desde a Grande Depressão

Ed Reed / Prefeitura de Nova York via EFE - 20.3.2020

Bill de Blasio, prefeito de Nova York, cidade que tem mais de um terço dos casos de coronavírus dos EUA, descreveu neste domingo (22) o surto como a maior crise nacional desde a Grande Depressão, e pediu que as Forças Armadas dos EUA se mobilizem para ajudar a impedir que o sistema de saúde fique sobrecarregado.

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"Se não conseguirmos mais respiradores nos próximos 10 dias, pessoas que não devem morrer acabarão morrendo", disse De Blasio. A cidade mais populosa do país já 8.000 casos e 60 mortes . Os casos em todo o país totalizam mais de 25.000, com pelo menos 340 mortos, de acordo com uma contagem da Reuters.

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"Esta será a maior crise nacional desde a Grande Depressão", disse ele à CNN, referindo-se à crise econômica da década de 1930. "É por isso que precisamos de uma mobilização em larga escala das Forças Armadas americanas".

O pior está para vir

O prefeito alertou que o pior ainda está por vir, com abril sendo pior que março, e maio talvez ainda mais tenebroso.

De Blasio disse que a cidade não está recebendo suprimentos médicos necessários do governo federal para lidar com a rápida disseminação da doença respiratória Covid-19.

"Se o presidente não agir, morrerão pessoas que poderiam estar vivendo", disse Blasio à NBC.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no Twitter neste domingo que as montadoras norte-americanas Ford, General Motors e Tesla receberam luz verde para produzir respiradores e outros itens necessários durante o surto de coronavírus.

Cenário complicado

O isolamento que afeta grandes segmentos da população norte-americana para tentar conter a propagação do coronavírus deve durar de 10 a 12 semanas, ou até o início de junho, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin.

Os norte-americanos estão se adaptando à maior mudança na vida cotidiana desde a Segunda Guerra Mundial, com escolas fechadas, esportes cancelados e instabilidade econômica, à medida que as perdas de empregos aumentam com o fechamento de empresas em muitos setores.

Os hospitais estão lutando para obter equipamentos de proteção para os profissionais de saúde e respiradores, enquanto se preparam para uma onda de pacientes que precisam de ajuda para respirar, pois casos graves costumam levar a pneumonia e diminuição da função pulmonar.

O coronavírus matou mais de 13.000 pessoas em todo o mundo e infectou mais de 300.000 em cerca de 170 países.

Os parlamentares dos EUA estão chegando a um acordo que poderia injetar uma cifra recorde de 1 trilhão de dólares na economia para limitar os danos econômicos causados ​​pelo coronavírus.

Quase um em cada quatro norte-americanos, ou 80 milhões de pessoas, recebeu ordem para fechar estabelecimentos e ficar em casa, uma vez que Nova York, Califórnia, Illinois, Connecticut e Nova Jersey instituíram isolamentos estaduais.