Internacional Imigração turbina eurocéticos na União Europeia, dizem especialistas

Imigração turbina eurocéticos na União Europeia, dizem especialistas

Resultado das últimas eleições para o Parlamento europeu surpreendeu na França e na Dinamarca

Imigração turbina eurocéticos na União Europeia, dizem especialistas

A vitória na França da extrema-direita, liderada por Marine Le Pen, provocou uma onda de choque no país

A vitória na França da extrema-direita, liderada por Marine Le Pen, provocou uma onda de choque no país

AFP

O resultado obtido por partidos eurocéticos e populistas nas eleições europeias no último domingo surpreendeu em países como França, Reino Unido e Dinamarca, mas em outros, como Alemanha e Itália, a vitória de legendas tradicionais confirmou uma tendência histórica.

Para especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o fenômeno do crescimento de candidatos contrários às políticas do bloco e mesmo à moeda única, o euro, pode ser explicado por uma percepção crescente de que a imigração é responsável por problemas como desemprego e baixo crescimento econômico.

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'O grande fenômeno da eleição foi o crescimento dos eurocéticos e do populismo', afirma Bruno Cautrès, pesquisador do centro de estudos europeus da Sciences Po (Instituto de Estudos Políticos de Paris).

'O UKIP (Reino Unido), a Frente Nacional (França) ou o Jobbik (Hungria) são muito diferentes entre si, mas compartilham bandeiras, como serem contra a União Europeia e contra a imigração.'

Maioria

Embora os grandes partidos pró-União Europeia tenham saído enfraquecidos das urnas, eles ainda mantêm a maioria de dois terços dos 751 assentos no Parlamento Europeu.

A maior bancada deve ficar com o grupo de direita moderada Partido Popular Europeu, com 212 cadeiras, seguido pelos Socialistas e Democratas (centro-esquerda), com 187.

Os eleitores da Alemanha, a locomotiva econômica da União Europeia, deram mais uma vitória expressiva para a chanceler alemã Angela Merkel. Seu partido foi o primeiro colocado, com 36% dos votos.

Na Itália, o Partido Democrático do premiê Matteo Renzi ultrapassou 40% dos votos — quase o dobro do contestador Movimento Cinco Estrelas do comediante Beppe Grilo (21%).

'A imagem de eficácia de Angela Merkel e a confiança do eleitor italiano de que Renzi seja capaz de realizar reformar profundas explicam claramente a vitória de forças políticas tradicionais nestes países', afirma Cautrès.

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Terremoto Le Pen

O extremismo teve melhor desempenho em países que atravessam problemas econômicos e presididos por políticos impopulares.

Na Grécia, país sacudido por ondas de protesto contra as medidas de austeridade, o partido Aurora Dourada, de extrema direita, conseguiu 9% conquistou seus três primeiros assentos no Parlamento Europeu, enquanto o Syriza, de extrema esquerda, liderou o número de sufrágios no país.

Outro exemplo é a França, onde o PIB avançou somente 0,3% no ano passado e o desemprego alcançou 10,4% da força de trabalho — um recorde em quinze anos.

O Partido Socialista, do presidente François Hollande — que tem 82% de rejeição, segundo pesquisas deste mês — obteve apenas um distante terceiro lugar nas eleições europeias — muito atrás da Frente Nacional, que apoia políticas contrárias à imigração e que conquistou 25% dos votos, e da União por um Movimento Popular (centro-direita), 21%.

O primeiro lugar do partido de extrema direita liderado pela conservadora Marine Le Pen provocou uma onda de choque na França.

O jornal Le Figaro destacou a 'vitória histórica' da Frente Nacional abaixo de uma manchete com uma única palavra: terremoto.

No diagnóstico do jornal Le Monde, o sucesso eleitoral da extrema-direita representa uma nova derrota aos partidos tradicionais 'ocupados com disputas internas, incapazes de se renovar, desconectados da sociedade e petrificados pela amplitude da crise econômica'.

Segundo Bruno Cautrès, a participação do eleitor na França, que cresceu em relação a 2009, beneficiou especialmente a Frente Nacional, 'que foi hábil para mobilizar o seu eleitorado', enquanto muitos apoiadores do Partido Socialista se abstiveram.

'Marine Le Pen está conseguindo reciclar a imagem de seu partido', disse o cientista político Olivier Costa, da Universidade de Bordeaux e pesquisador do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Social, na sigla em Francês).

'Muitos eleitores sabem que a Frente Nacional não tem uma solução para os problemas atuais, mas votaram nela para manifestar sua raiva.'

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