Internacional Indicada de Trump para a CIA promete não autorizar tortura

Indicada de Trump para a CIA promete não autorizar tortura

Gina Haspel, que o presidente indicou para ser a nova diretora da CIA, evitou criticar o uso de tortura em programas da agência e a destruição de provas

Haspel CIA

Gina Haspel após ser sabatinada no Senado dos EUA

Gina Haspel após ser sabatinada no Senado dos EUA

Reuters / Aaron P. Bernstein / 9.5.2018

Gina Haspel, indicada por Donald Trump, para ser a nova diretora da CIA, disse em uma sabatina no Senado dos EUA nesta quarta-feira (9) que nunca retomará um programa que permitia interrogatórios violentos da agência, com frequência denunciado como tortura. A participação dela nessa iniciativa é o principal entrave para sua confirmação no cargo.

Haspel, atualmente diretora interina da agência de espionagem, disse aos parlamentares que não iria cumprir qualquer ordem de Trump que ela considerasse moralmente censurável, embora não tenha afirmado se recusaria uma ordem para usar técnicas como o waterboarding (colocar a cabeça do suspeito debaixo d'água simulando afogamento), para obter respostas de um suspeito de terrorismo.

"Minha bússola moral é forte. Eu não permitiria que a CIA fizesse coisas que eu considere imorais, mesmo se fossem tecnicamente legais. Eu não permitiria isso de maneira nenhuma", disse Haspel ao Comitê de Inteligência do Senado.

A audiência foi pautada por perguntas sobre o papel de Haspel no uso de métodos violentos de interrogatório pela CIA durante o governo do ex-presidente George W. Bush, bem como a destruição de fitas de vídeo que documentavam as táticas.

"Tendo servido durante aquela época tumultuada, posso oferecer meu compromisso pessoal, claramente e sem reservas, de que sob minha liderança a CIA não reiniciará esse programa de detenção e interrogatório", disse Gina.

Haspel disse que a lei dos EUA agora proíbe claramente tais métodos de interrogatório, e "eu apoio totalmente o tratamento exigido por lei para os detentos".

Na campanha de 2016, Trump tinha prometido retomar o waterboarding, usada anteriormente pelos interrogadores da CIA, mas agora banida, e prometeu técnicas "muito piores".

Questionamentos públicos a Gina Haspel sobre questões como a eficácia dos interrogatórios, os ataques de drone da CIA e os "encaminhamentos" de supostos militantes feitos pela agência a outros países pode ser limitado porque as operações continuam confidenciais.

Ela precisa de 51 dos 100 votos no Senado para ser confirmada como a primeira mulher a dirigir a CIA. Os republicanos têm uma maioria, exatamente 51 senadores. Ex-vice-diretora da agência, ela sucederia Mike Pompeo, que confirmado no mês passado como secretário de Estado dos EUA.

Mas Haspel pode enfrentar dificuldades para ser confirmada no cargo. Pelo menos um republicano, o senador Rand Paul, disse que se opõe a ela, e outros disseram que iriam esperar para ver como ela se sairia na audiência de quarta-feira. Nenhum democrata ainda manifestou apoio ao seu nome.