Internacional Intérpretes que ajudaram os EUA serão retirados do Afeganistão

Intérpretes que ajudaram os EUA serão retirados do Afeganistão

Temendo represálias por parte dos talibãs, governo norte-americano quer tirar tradutores antes da retirada das tropas

AFP
Ao longo dos anos da guerra, cerca de 18 mil afegãos trabalharam como tradutores para os EUA

Ao longo dos anos da guerra, cerca de 18 mil afegãos trabalharam como tradutores para os EUA

Adek BERRY / AFP - Arquivo

Os Estados Unidos planejam evacuar pelo menos alguns intérpretes afegãos que trabalharam com suas tropas antes da retirada total dos soldados posicionados no Afeganistão, informou um alto funcionário americano nesta quinta-feira (24).

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A medida manteria em segurança os intérpretes, que enfrentam possível represália violenta por parte das forças do Talibã, enquanto são processados seus vistos de imigração para entrar nos Estados Unidos, informou o funcionário, que falou sob condição de anonimato.

"Nós identificamos um grupo de solicitantes de SIV (Visto Especial de Imigrante) que serviram como intérpretes a serem realocados para um local fora do Afeganistão antes de concluirmos nossa retirada militar em setembro, a fim de concluir o processo de solicitação de visto", indicou.

Não foi especificado o número de intérpretes a serem evacuados ou para onde serão levados, mas sabe-se que seus pedidos de visto "já estavam em andamento".

"Não abandonaremos aqueles que nos ajudaram", afirmou Joe Biden, questionado sobre o assunto em entrevista coletiva na Casa Branca. Quando questionado sobre os países que poderiam hospedar temporariamente esses intérpretes, ele respondeu: "Não sei".

Após a retirada das tropas, o processamento do visto continuará, "mesmo para aqueles que permanecerem no Afeganistão", acrescentou o alto funcionário sob anonimato.

"Se necessário, consideraremos opções adicionais de realocação ou evacuação", assegurou.

Medo de represálias

Cerca de 18 mil afegãos que trabalharam com as forças americanas desde que começaram a operar no Afeganistão, depois dos ataques de 2001 contra os Estados Unidos, esperam emigrar para solo americano temendo represálias caso o Talibã volte ao poder.

Mas o processo para esses vistos é extremamente longo e eles correm o risco de ficar presos se o governo afegão entrar em colapso logo após a saída das tropas estrangeiras.

Alguns legisladores e organizações de direitos humanos estão pedindo ao governo Biden que evacue os afegãos com casos pendentes para a ilha de Guam, no Pacífico.

Em abril, Biden ordenou a partida dos 2.500 soldados ainda presentes no Afeganistão, antes de 11 de setembro, aniversário dos ataques de 2001, que provocaram a invasão americana nesse país asiático.

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