Internacional Investigação revela expulsão de bebês americanos ao México

Investigação revela expulsão de bebês americanos ao México

Pelo menos 11 mulheres migrantes que tiveram filho nos EUA foram enviadas ao país vizinho sem a certidão de nascimento

  • Internacional | Da EFE

Mães e recém-nascidos foram expulsos dos EUA

Mães e recém-nascidos foram expulsos dos EUA

Pixabay

Pelo menos 11 mulheres migrantes com recém-nascidos nos Estados Unidos foram deportadas desde março do ano passado a lugares fronteiriças no México sem as certidões de nascimento dos filhos, revelou nesta sexta-feira (5) o portal de notícias The Fuller Project.

Com base em múltiplas conversas com advogados que trabalham com solicitantes de asilo e uma análise de registros de hospital e documentos jurídicos, a investigação descobriu que diversos cidadãos americanos recém-nascidos foram expulsos ao México após suas mães terem sido submetidas a um veto fronteiriço do governo de Donald Trump que o novo governo demorou a rescindir.

Os advogados suspeitam que o número real de casos é superior porque a maioria dessas expulsões ordenadas ocorreu longe do conhecimento público e sem o envolvimento de advogados, diz a investigação, conduzida em conjunto com o jornal britânico "The Guardian".

"Segundo advogados e defensores dos imigrantes, este recente padrão de afastamento de cidadãos americanos sem certidões de nascimento ocorreu num contexto de políticas e práticas de imigração nos últimos anos que prejudicaram mulheres e crianças já vulneráveis", disse o relatório.

Veja também: Trump assina memorando para excluir imigrantes ilegais do censo

Durante o governo Trump, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estabeleceram em março de 2020 que a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA podem devolver à força migrantes que tenham entrado irregularmente nos Estados Unidos através da fronteira sem dar a eles a oportunidade de requerer asilo ou proteção.

A investigação cita o caso de Hélène, uma mulher haitiana de 23 anos que estava grávida de nove meses quando chegou aos EUA em julho. Funcionários da Patrulha da Fronteira levaram-na para um hospital na Califórnia, onde ela deu à luz. Hélène foi deportada ao México após receber alta, mas sem uma certidão de nascimento para a filha recém-nascida.

Este incidente constitui apenas uma das quase 20 mil expulsões registradas pela Alfândega e Proteção de Fronteiras com base na mesma regra no ano fiscal de 2020.

O novo presidente dos EUA Joe Biden emitiu na terça-feira (6) uma ordem executiva para o CDC e o Departamento de Segurança Nacional (DHS) para "rever prontamente" a regulação juntamente com outras políticas da era Trump destinadas a travar a imigração.

A ordem observa que, enquanto "os EUA são um país com fronteiras e leis que devem ser respeitadas", são necessárias melhores "vias legais para a imigração para este país" e o restabelecimento do sistema de asilo, que "foi severamente danificado por políticas implementadas nos últimos quatro anos que violaram valores e causaram sofrimento humano desnecessário".

Últimas