Internacional Irã diz que novas sanções dos EUA significam fim da diplomacia

Irã diz que novas sanções dos EUA significam fim da diplomacia

A crise entre os países se acentua desde maio, quando governo Trump ordenou que todos os países suspendessem compras de petróleo iraniano

Irã e EUA

Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei

Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei

Site oficial de Khamenei/Divulgação via REUTERS

As novas sanções norte-americanas contra o líder supremo e o ministro das Relações Exteriores do Irã encerraram a diplomacia, disse o Irã nesta terça-feira (25), acusando os Estados Unidos de abandonarem a única rota para a paz poucos dias depois de os arqui-inimigos ficarem muito próximos de um conflito armado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva impondo sanções na segunda-feira contra o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e outras figuras importantes. Sanções contra o ministro das Relações Exteriores, Mohmmad Javad Zarif, são esperadas para o final desta semana.

A ação aconteceu depois que o Irã abateu um avião não tripulado dos EUA na semana passada e de Trump cancelar um ataque aéreo de retaliação minutos antes do impacto, que seria a primeira vez que os Estados Unidos bombardeariam o Irã em décadas de hostilidade entre os dois países.

Trump disse que desistiu no último minuto porque muitas pessoas morreriam.

"Impor sanções inúteis ao líder supremo do Irã e ao comandante da diplomacia iraniana é o fechamento definitivo do caminho da diplomacia", disse no Twitter o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Mousavi.

"A administração desesperada de Trump está destruindo os mecanismos internacionais estabelecidos para manter a paz e a segurança mundial", acrescentou Mousavi.

Em um discurso televisionado, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, disse que as sanções contra Khamenei não teriam impacto prático porque o clérigo não tem ativos no exterior.

Rouhani, um pragmático que venceu duas eleições prometendo abrir o Irã ao mundo, descreveu as ações dos EUA como desesperadas e classificou a Casa Branca como "retardada mental" -- um insulto que autoridades iranianas já usaram no passado sobre Trump, mas em um afastamento do tom normalmente comedido de Rouhani.

Rouhani e seu gabinete dirigem os assuntos cotidianos do Irã, enquanto Khamenei, no poder desde 1989, é a autoridade máxima do Irã.

"As ações da Casa Branca significam que ela é mentalmente retardada", disse Rouhani. "A paciência estratégica de Teerã não significa que tenhamos medo".

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que a situação em torno do Irã está se desenvolvendo em direção a um cenário perigoso, informou a agência de notícias RIA.

O assessor de segurança nacional de Trump, John Bolton, em visita a Israel, repetiu as ofertas anteriores para manter conversações, desde que o Irã esteja disposto a ir além dos termos de um acordo nuclear de 2015 com as potências mundiais que Trump abandonou no ano passado.

"O presidente abriu as portas para negociações reais para eliminar de forma completa e verificável o programa de armas nucleares do Irã, sua busca por sistemas de lançamento de mísseis balísticos, seu apoio ao terrorismo internacional e outros comportamentos malignos em todo o mundo", disse Bolton em Jerusalém. "Tudo o que o Irã precisa fazer é atravessar essa porta aberta".

Os Estados Unidos impuseram sanções econômicas paralisantes contra o Irã desde o ano passado, quando Trump se retirou de um acordo entre Teerã e potências mundiais para conter o programa nuclear iraniano em troca da retirada das sanções.

A crise se acentuou desde o mês passado, quando o governo Trump apertou as sanções, ordenando que todos os países suspendessem as compras de petróleo iraniano. A medida na prática privou a economia iraniana da principal fonte de renda que Teerã usa para importar alimentos para seus 81 milhões de habitantes, e deixou a facção pragmática do Irã sem nenhum benefício para demonstrar do acordo nuclear.