Irã: Fim de isenções da cooperação nuclear não afetará atividades

Os Estados Unidos irão revogar isenções de sanções que permitiam que empresas estrangeiras trabalhassem em instalações nucleares do Irã 

O papel das companhias estrangeiras foi combinado no acordo nuclear de Teerã em 2015

O papel das companhias estrangeiras foi combinado no acordo nuclear de Teerã em 2015

Leonhard Foeger / Reuters - 9.9.2019

A decisão dos Estados Unidos de revogar as isenções de sanções que permitiam que empresas estrangeiras trabalhassem em instalações nucleares do Irã não afetará o programa nuclear iraniano, disse a Organização de Energia Atômica da República Islâmica nesta quinta-feira (28).

Na quarta-feira (27), os EUA disseram que suspenderão as dispensas, graças às quais, empresas russas, chinesas e europeias realizaram obras em instalações nucleares iranianas.

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O papel das companhias estrangeiras foi combinado no acordo nuclear de Teerã com potências mundiais em 2015 e intencionava ajudar a garantir que o programa nuclear do Irã não fosse usado para a fabricação de armas.

"O final das isenções para a cooperação nuclear conforme (o acordo nuclear) não terá, na prática, nenhum efeito no trabalho do Irã", disse o porta-voz da organização nuclerar iraniana, Behrouz Kamalvandi, em comentários relatados pela agência de notícias Isna. "É claro que a América quer que suas ações tenham um efeito alinhado à pressão sobre o Irã, mas, na prática, nada acontecerá".

Acordo em 2015

Segundo o pacto de 2015, o Irã aceitou limites em seu programa nuclear em troca do alívio das sanções. O presidente dos EUA, Donald Trump, retirou seu país do acordo em 2018, e desde então reativou as sanções. Já o Irã reduziu seus compromissos com o pacto, mas diz que ainda cumpre seus termos gerais.

As isenções, que autoridades dizem expirar no dia 27 de julho, cobriam a conversão do reator de pesquisa de água pesada de Arak, o fornecimento de urânio enriquecido a seu Reator de Pesquisa de Teerã e a transferência de combustível de reatores usado e descartado para o exterior.

Conforme o acordo de 2015, o Irã concordou em desligar seu reator de Arak, situado cerca de 250 quilômetros ao sudoeste de Teerã. O país teve permissão para produzir uma quantidade limitada de água pesada. Teerã está trabalhando em uma adaptação do reator e diz que ele fabricará isótopos para uso medicinal e agrícola.

O trabalho na adaptação do reator de Arak continua, embora em ritmo lento, por causa das sanções e de problemas no cumprimento do acordo nuclear, disse Kamalvandi.