Internacional Irã ordena novo julgamento para três jovens condenados à morte

Irã ordena novo julgamento para três jovens condenados à morte

A Justiça havia anunciado em julho a suspensão do veredicto contra os réus depois que sua confirmação pela Suprema Corte provocou indignação

  • Internacional | Da EFE

Da esq. p/ dir: os réus Amir Hossein Moradi, Saeed Tamjidi e Mohamad Rajabi

Da esq. p/ dir: os réus Amir Hossein Moradi, Saeed Tamjidi e Mohamad Rajabi

Reprodução: Instagram

A Suprema Corte do Irã anunciou neste sábado (5) que ordenou um novo julgamento para três jovens condenados à morte por eventos relacionados aos protestos de novembro de 2019.

A Justiça havia anunciado em julho a suspensão do veredicto contra os três réus depois que sua confirmação pela Suprema Corte provocou indignação no Irã e em outros países.

"O pedido de novo julgamento dos três condenados à morte em conexão com os incidentes de (novembro de 2019) foi aceito e o caso será julgado novamente por outro tribunal", segundo nota do Supremo Tribunal Federal publicada em seu site.

Babak Paknia, um dos advogados de defesa, informou no Twitter que foi notificado sobre a decisão.

Paknia informou à AFP em julho que os réus eram Amirhossein Moradi, de 26 anos, Said Tamdjidi, 28, e Mohammad Radjabi, 26.

Os três amigos foram condenados à morte por "conspiração para atacar a segurança interna" e "incêndio criminoso e destruição de propriedade pública com a intenção" de danificar "o sistema político da República Islâmica", especificou o advogado.

De 15 a 18 de novembro de 2019, cem cidades do Irã vivenciaram um movimento de protesto - reprimido com violência - contra o anúncio de um forte aumento do preço da gasolina em meio a uma severa crise econômica.

O governo chamou essas manifestações de "distúrbios" orquestrados por "inimigos" estrangeiros.

Durante os protestos, postos policiais foram atacados, lojas saqueadas e bancos e postos de gasolina incendiados.

As autoridades iranianas afirmam que os distúrbios deixaram 230 mortos, mas a organização Anistia Internacional, que denunciou o uso "ilegal" e desproporcional da força por parte do regime, estima em 304 o número de manifestantes mortos, incluindo 23 menores.

Um grupo de especialistas independentes das Nações Unidas estimou que as mortes poderiam ser superiores a 400.

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