Internacional Israel repudia relatório de ONG que a acusa de discriminação

Israel repudia relatório de ONG que a acusa de discriminação

Ministério afirma que alegações da HRW de que Israel pratica "apartheid" com palestinos "são absurdas e falsas"

  • Internacional | Eugenio Goussinsky, do R7

Governo afirma que árabes têm direitos iguais

Governo afirma que árabes têm direitos iguais

Atef Safadi/EFE/22-04-21

O governo de Israel reagiu com indignação e repudiou o termo "apartheid", citado pela ONG HRW (Human Rights Watch), em relatório de 213 páginas, em que acusa o país de praticar com os palestinos um regime semelhante ao do governo da África do Sul com os negros, até os anos 90.

O principal argumento israelense ao rebater o documento, foi o de que restrições temporárias impostas em Gaza e na Cisjordânia não configuram nenhum tipo de discriminação, sendo necessárias para a segurança do país, em função dos repetidos ataques, considerados terroristas por Israel, vindos dessas regiões.

Em nota, o Ministério israelense das Relações Exteriores fez duras críticas ao relatório, que, segundo o The Times of Israel, é de autoria de Omar Shakir, que em novembro de 2019 foi expulso de Israel, acusado de apoiar uma campanha de boicote internacional contra o país, a chamada BDS.

“A Human Rights Watch é conhecida por ter uma agenda anti-israelense de longa data, buscando ativamente há anos promover boicotes contra Israel. A decisão deles de não compartilhar este relatório para revisão ou comentário com qualquer autoridade israelense é uma indicação clara de que se trata de um panfleto de propaganda, que carece de toda credibilidade", afirmou o ministério israelense.

Na resposta, o governo israelense citou ainda o fato de o próprio fundador da HRW, Robert Bernstein, ter criticado sua organização em 2009 por “emitir relatórios sobre o conflito árabe-israelense que estão ajudando aqueles que desejam transformar Israel em um estado pária”.

Bernstein também, em outra ocasião, repudiou a comparação com o regime racista sul-africano, citando uma afirmação do alto oficial do Congresso e ex-ministro da Defesa sul-africano, Mesoia Lekota: “tentei encontrar uma comparação entre a forma como vivíamos sob o regime do apartheid e a situação em Israel e não consegui encontrar uma.”

No texto do documento, a HRW se refere a esse termo "política de apartheid", quando acusa Israel de praticá-la "para manter o domínio dos judeus israelenses sobre os palestinos em Israel e Cisjordânia".

"As alegações da HRW são absurdas e falsas", rebateu o ministério.

Israel ressalta que a população árabe goza de plenos direitos civis no país. E argumenta que, a partir de negociações passadas, a Autoridade Palestina se tornou representante palestina, após acordos implementados na década de 90.

“Existem árabe-israelenses que se afirmam palestinos trabalhando na Suprema Corte de Israel como juízes, membros do Knesset, e representantes dentro das organizações de governo. Respeitamos nossos parceiros de negociação do lado palestino, pois muitos trabalham em Israel. Temos mais de 40 acordos com as lideranças de autoridades palestinas. Além disso, muitos estudantes e professores das universidades israelenses são de comunidades árabe-israelenses. Eles têm os mesmos direitos e obrigações como qualquer cidadão", observou Shmulik Bass, encarregado de negócios da embaixada de Israel no Brasil.

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