Itália aprova verba de 7,5 bilhões de euros para enfrentar coronavírus

Primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, explicou que foram aprovados recursos para financiar "medidas extraordinárias e urgentes"

Menino joga bola em praça quase deserta em Nápoles, na Itália

Menino joga bola em praça quase deserta em Nápoles, na Itália

CIRO FUSCO/EFE/ 05.03.2020

O governo da Itália aprovou nesta quinta-feira (05) uma verba de 7,5 bilhões de euros (aproximadamente R$ 38 bilhões) para ajudar famílias e empresas em meio à crise causada pelo novo coronavírus, que já infectou mais de 3 mil pessoas e causou 148 mortes, e solicitou flexibilidade orçamentária à União Europeia (UE).

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O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, explicou em entrevista coletiva que foram aprovados recursos no valor de 7,5 bilhões de euros para financiar um decreto com "medidas extraordinárias e urgentes", que deverá ser aprovado na semana que vem.

Isto significará um desvio de 6,35 bilhões de euros líquidos nos gastos públicos, disse o ministro da Economia, Roberto Gualtieri.

A Itália já tinha antecipado que pediria mais flexibilidade orçamentária à UE para enfrentar a epidemia, e Conde disse que não haveria "divergência".

"Não estamos dando um passo em falso, e já podemos declarar a total sensibilidade por parte da Comissão Europeia (CE), que compreende a emergência pela qual a Itália está passando. Deste ponto de vista, não esperamos nenhuma divergência com a União Europeia", comentou.

A posição do governo italiano é que "não é apenas uma emergência sanitária, mas também econômica", devido ao impacto sobre as zonas mais afetadas do norte, o motor econômico do país, e também sobre outros setores, como o do turismo.

O ministro explicou que, com esses recursos, será feito um decreto com as medidas para "fornecer meios" aos especialistas, ajudar as famílias afetadas pelo vírus e permitir uma moratória sobre os empréstimos às empresas afetadas.

"Ninguém deve perder o emprego por causa do coronavírus", disse Gualtieri, que espera que o decreto venha na próxima semana, uma vez que passe pelo trâmite parlamentar apropriado.

Gualtieri já informou por carta o comissário europeu para Assuntos Econômicos, Paolo Gentiloni, e o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, sobre o procedimento.

Na carta, disse que o coronavírus "atingiu repentina e fortemente a Itália nas últimas duas semanas" e afirma que as restrições aprovadas para conter a epidemia afetarão setores como os de transporte, hotelaria, turismo, cultura e comércio.

O pacote de medidas do governo aumentará o déficit do país para 2,5% do produto interno bruto (PIB), 0,3 ponto percentual acima da previsão anterior.

A Itália se compromete com a Europa a "retomar a sua estratégia de redução da dívida assim que a normalidade voltar" e, ao justificar o endividamento, argumenta que aumentar os impostos para pagar a emergência "feriria os sentimentos em um momento muito delicado".

O país já registrou vários surtos de coronavírus nas regiões norte da Lombardia e Vêneto, que já se espalharam por outras partes do país, com um total de 3.296 pessoas infectadas e 148 mortos, a maioria idosos, segundo o último relatório da agência de Defesa Civil.