Juiz federal manda soltar Chelsea Manning nos EUA

Após 11 meses de prisão por se negar a testemunhar contra Julian Assange, do Wikileaks, a ex-analista de inteligência teve sua liberdade decretada por juiz

Chelsea Manning em uma coletiva pouco antes de ser detida, em 2019

Chelsea Manning em uma coletiva pouco antes de ser detida, em 2019

Shawn Thew / EPA - EFE - arquivo

Um juiz federal ordenou, nesta quinta-feira (12), a libertação da ex-analista de inteligência do Exército norte-americano, Chelsea Manning. Na quarta, ela havia sido levada às pressas para o hospital, após uma tentativa de suicídio, que não teve consequências mais graves.

Chelsea Manning estava detida há 11 meses em um centro de detenção na VIrgínia, em prisão preventiva por se recusar a testemunhar no processo contra o fundador do Wikileaks, Julian Assange. Ela já havia cumprido 7 anos de prisão de 2011 a 2017, por ter vazado documentos sigilosos para o site.

Segundo Anthony Trenga, o juiz responsável pelo caso, o júri que deveria interrogá-la não existe mais, portanto "sua detenção não serve mais nenhum propósito coercitivo".

Trajetória de problemas

A ex-analista da inteligência do Exército dos EUA foi condenada em 2013, quando ainda era conhecida como soldado Bradley Manning, a 35 anos de prisão como a pessoa responsável pela maior fuga de documentos confidenciais da história do país. Ela estava detida desde 2010.

Não é a primeira tentativa de suicídio de Manning. Houve outras durante o seu tempo na prisão, antes de se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo, em 2013.

Em 17 de maio de 2017, ela foi liberada após sete anos de prisão, um quinto de sua sentença, graças a um perdão concedido em janeiro desse ano pelo então presidente Barack Obama, três dias antes de deixar a Casa Branca.

Enquanto analista da inteligência militar, Maning divulgou mais de 700 mil documentos secretos confidenciais sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e cabos do Departamento de Estado ao WikiLeaks em 2010, o que representou um golpe à diplomacia americana e alimentou um debate sobre o papel de Washington no mundo.