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Internacional Julgamento de El Chapo: cartel é dissecado na primeira semana

Julgamento de El Chapo: cartel é dissecado na primeira semana

Primeira testemunha, irmão de sócio do traficante explicou como nasceu e cresceu o cartel de Sinaloa, que se tornou o maior do México

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El Chapo foi preso em 2016 e extraditado para os EUA no ano seguinte

El Chapo foi preso em 2016 e extraditado para os EUA no ano seguinte

Wikimedia Commons

As primeiras audiências do esperado julgamento do traficante mexicano Joaquín 'El Chapo' Guzmán, em uma corte federal dos EUA no Brooklyn, em Nova York, revelaram como nasceu o cartel de Sinaloa e como se tornou a maior organização do narcotráfico no México.

Guzmán é acusado de 17 crimes, como tráfico de drogas, associação ao tráfico, lavagem de dinheiro, conspiração para assassinar rivais ou dissidentes de seu cartel, entre outros. Caso seja condenado, ele pode pegar prisão perpétua.

Depois de um atraso no primeiro dia, quando um dos jurados pediu para sair do julgamento, a defesa chegou a afirmar que Chapo era 'perseguido' e que o verdadeiro chefão do cartel seria um homem apontado como seu sócio, Ismael "El Mayo" Zambada. Um dos advogados chegou a dizer que o cartel havia subornado dois presidentes mexicanos.

Primeiro depoimento

Na quarta-feira (14), o julgamento começou de verdade com o depoimento de Jesús 'El Rey' Zambada, irmão de El Mayo. E ele deu uma verdadeira aula sobre as origens e métodos do cartel de Sinaloa.

El Rey foi preso no México em 2008 e extraditado para os EUA em 2012. Para reduzir sua pena, aceitou cooperar com os procuradores na acusação de El Chapo.

Quando perguntado sobre a relação entre Guzmán e seu irmão, García respondeu que era "uma sociedade, uma parceria para o contrabando de cocaína, para o tráfico".

Em seu depoimento, ele contou como subiu de responsável por pequenos carregamentos de drogas a gerente do principal armazém do cartel de Sinaloa na Cidade do México. Ele disse que enviava de 80 a 100 toneladas de cocaína para os EUA todos os anos.

Guerra dos cartéis

Zambada voltou à sala de audiência na quinta (15), quando detalhou como foi a guerra entre os cartéis de Tijuana e Sinaloa, por rotas de tráfico de drogas para os EUA, no início da década de 1990.

Ele contou que seu irmão, Ismael, começou a trabalhar para o cartel de Tijuana em 1987, para quem Guzmãn também prestava serviços. A organização era comandada por Ramón Arellano Félix

Quatro anos depois, El Mayo e El Chapo uniram forças com outros traficantes para desafiar o poder dos Arellano Félix e tomar as rotas de tráfico de drogas que passavam por Tijuana, na fronteira com os EUA. Eles formaram um grupo chamado "A Federação", que mais tarde se tornaria o cartel de Sinaloa.

"Eles (os Arellano Félix) achavam que eram os reis, os donos de Tijuana, e não queriam que ninguém atravessasse a fronteira com drogas sem sua autorização", contou Zambada. "Muitas pessoas morreram por isso".

Atentados e fuga

O ex-traficante também contou sobre atentados contra Ramón Arellano Félix e a morte do cardeal José Jesús Posadas, arcebispo de Guadalajara. O carro dele foi metralhado por homens de Arellano Félix que achavam que Chapo estava no veículo.

Zambada também falou sobre a fuga de Guzmán da prisão de Puente Grande, em 2001. O traficante se escondeu dentro de um carrinho de roupa suja e foi levado até um carro. O veículo saiu pela porta da frente da penitenciária, com El Chapo escondido no porta-malas.

El Rey vai continuar seu depoimento nesta segunda-feira (19).

Conheça abaixo alguns episódios marcantes da história de El Chapo