Internacional Justiça da Turquia volta a rejeitar libertação de religioso americano

Justiça da Turquia volta a rejeitar libertação de religioso americano

Esta é a terceira vez que a Justiça turca rejeita as apelações do pastor protestante, que está sendo acusado de vínculos com grupos terroristas

Andrew Brunson

Brunson é acusado de "espionagem", diz advogado

Brunson é acusado de "espionagem", diz advogado

REUTERS/Osman Orsal - 7.5.2018

Um tribunal da Turquia voltou a rejeitar nesta sexta-feira o pedido de libertação do religioso americano Andrew Brunson, que está em prisão preventiva há quase dois anos e cujo caso provocou uma séria crise diplomática com Washington, que acelerou a queda da moeda turca.

Esta é a terceira vez nesta semana que a Justiça turca rejeita as apelações do pastor protestante, que vive na Turquia há 20 anos e que está sendo acusado de vínculos com grupos terroristas, que seus advogados consideram fabricados.

O Tribunal Penal de Esmirna já rejeitou o pedido de liberdade provisória na terça-feira e novamente na quarta, dia no qual transferiu o recurso para uma instância superior, que hoje ditou a mesma resolução.

Brunson, detido em outubro de 2016, é acusado de "espionagem" e vínculos tanto com a guerrilha marxista curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo) como com a organização islamita do clérigo turco Fethullah Gülen, que é arqui-inimiga do PKK.

Os Estados Unidos pediram a libertação do pastor em várias ocasiões, mas a Turquia se negou alegando independência judicial, o que levou a uma grave crise entre Washington e Ancara, que são dois aliados tradicionais.

Ontem mesmo, o presidente americano, Donald Trump, escreveu em um tweet: "a Turquia tem se aproveitado dos Estados Unidos durante muitos anos. Agora estão retendo nosso maravilhoso pastor cristão, a quem tenho que pedir agora que represente nosso país como um grande refém patriota".

"Não pagaremos nada pela libertação de um homem inocente, mas estamos reduzindo as relações com a Turquia", acrescentou o presidente.

Já em princípios de agosto, os EUA impuseram sanções econômicas aos ministros de Interior e Justiça da Turquia, o que foi respondido por Ancara com medidas idênticas, exacerbando assim a tensão entre os dois países.

É uma situação que aprofundou a desconfiança dos investidores na economia turca, que está sobrecarregada com uma enorme dívida em divisas estrangeiras e um elevado índice de inflação.