CRISE HUMANITÁRIA
Internacional Justiça italiana se recusa a expulsar capitã de navio de migrantes

Justiça italiana se recusa a expulsar capitã de navio de migrantes

Ativista levou 40 imigrantes sem autorização a porto italiano depois de 17 dias no mar. Ela foi presa por ignorar ordens da autoridades 

Capitã de navio de migrantes

Ativista foi libertada depois de atracar sem autorização

Ativista foi libertada depois de atracar sem autorização

Guglielmo Mangiapane/ Reuters - 2.7.2019

A procuradoria de Agrigento, na Sicília, se recusou nesta quarta-feira (3) a assinar o decreto de expulsão para a capitã do navio da ONG alemã Sea Watch, Carola Rackete, emitido pela delegação de governo, como pretendia o ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, depois que esta ficou em liberdade.

A porta-voz da ONG na Itália, Giorgia Linardi, confirmou em entrevista coletiva a decisão da procuradoria, que momentaneamente não se ocupará do decreto de expulsão, pelo menos até o dia 9 de julho, quando a capitã do navio Sea Watch 3 se apresentará para depor no processo de investigação aberto pelo crime de favorecer a imigração ilegal.

A juíza de Agrigento, Alessandra Vella, deixou a capitã em liberdade ontem ao não convalidar a detenção de sábado passado por chegar sem permissão ao porto italiano de Lampedusa com o objetivo de desembarcar os 40 imigrantes que estavam a bordo do navio.

Giorgia confirmou que Carola foi transferida a um "lugar seguro" para protegê-la da atenção midiática, mas não mencionou "ameaças", e acrescentou que a capitã ainda está na Itália, mas que não garante que continuará no país nas próximas horas, já que "é uma mulher livre".

"Carola tem que tomar seu tempo depois de quatro dias de isolamento. Entender tudo o que aconteceu e também enfrentar duas investigações", acrescentou Giorgia.

A porta-voz do Sea Wacth ressaltou que, após sua detenção, Carola se preocupava o tempo todo em saber se os migrantes tinham conseguido desembarcar.

A decisão de ontem da juíza de Agrigento provocou a ira de Salvini, que acusou uma parte da magistratura de "fazer política" e classificou a situação como "vergonha".

"Violou as leis, pôs em perigo a vida de alguns militares e agora está livre. Volte à Alemanha para causar problemas lá e pôr em perigo a vida de quem defende o país", acrescentou o ministro italiano.