Coronavírus

Internacional Kim Jong-un culpa funcionários por crise no combate à pandemia

Kim Jong-un culpa funcionários por crise no combate à pandemia

Coreia do Norte afirma que não registrou casos de covid-19, mas líder culpa alto escalão por deterioração do país

  • Internacional | Da EFE

Kim Jong-un culpa funcionários por crise no combate à pandemia

Kim Jong-un culpa funcionários por crise no combate à pandemia

EFE/EPA/KCNA - 29.6.2021

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, disse que o país está passando por uma "grande crise" em sua luta contra a pandemia como resultado de erros de funcionários de alto escalão do regime, apesar do fato de Pyongyang afirmar que não registrou qualquer caso de covid-19.

Kim referiu-se assim à situação do coronavírus no país, que até agora afirmava ter conseguido manter o patógeno fora de suas fronteiras, durante seu discurso em uma reunião do mais alto órgão político da Coreia do Norte realizada ontem e sobre a qual a agência de notícias estatal KCNA informou nesta quarta-feira (30).

A imprensa oficial de Pyongyang não deu mais detalhes que esclareçam a verdadeira extensão do vírus na Coreia do Norte, embora tenham ecoado as palavras do ditador, culpando funcionários do partido único norte-coreano pela deterioração da situação nacional.

Grave incidente

"Ao negligenciar decisões importantes do partido em sua emergência nacional para combater o vírus em preparação para uma crise de saúde global, causaram um grave incidente", disse Kim em relação a esses funcionários durante a reunião do Politburo do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte.

Kim destacou a "incapacidade e irresponsabilidade" dos funcionários do regime como "o principal fator que impede a execução de tarefas importantes", acrescentando que a "luta" no nível do partido "deve ser travada contra falhas ideológicas e outros tipos de fatores negativos "

A KCNA mencionou que um "relatório" sobre esses erros foi discutido durante a reunião do Politburo, sem se aprofundar no assunto.

Pyongyang informou este mês à Organização Mundial da Saúde (OMS) que testou mais de 30 mil pessoas no país sem detectar uma única infecção por covid-19 desde o início da pandemia, de acordo com o organismo internacional.

Embora o país aplique restrições de fronteira rígidas desde janeiro de 2020 que afetam o comércio e a movimentação de pessoas, os especialistas duvidam que a Coreia do Norte tenha conseguido se proteger completamente devido aos seus laços estreitos com a China e sua infraestrutura de saúde pouco avançada.

Maior isolamento

No final de 2020, Pyongyang apertou ainda mais as restrições de fronteira, de modo que suas importações da China (de onde obtém 90% do que compra no exterior) caíram a níveis mínimos e os problemas de escassez de alimentos que afetam o país se agravaram.

O comércio transfronteiriço pareceu se recuperar em março e abril deste ano graças ao estabelecimento de centros de logística na fronteira para desinfetar produtos importados, de acordo com observadores do regime.

O próprio Kim, porém, destacou durante a reunião plenária do partido único realizada este mês que serão necessários "esforços" prolongados em nível nacional no contexto do combate à pandemia, o que pode apontar para a manutenção de seu isolamento apesar de suas graves dificuldades financeiras.

Neste encontro anterior, o ditador admitiu que a situação alimentar na Coreia do Norte "está se tornando tensa", algo para o que as organizações internacionais com presença no país já alertaram devido ao prolongado impacto das sanções internacionais, as más colheitas e ao fechamento das fronteiras.

Desculpa para fortalecer o poder?

Especialistas em assuntos norte-coreanos veem nas críticas de Kim a funcionários de alto escalão do regime indícios de uma possível reorganização interna ou mesmo de expurgos, depois que o ditador também mencionou "sérios problemas" no trabalho de membros do partido único na mencionada sessão plenária de dias atrás.

A sessão anterior do Politburo foi realizada menos de duas semanas após o término da plenária e foi convocada para tratar dos erros cometidos na gestão da pandemia, de acordo com a KCNA.

Nesta última reunião também foi discutida uma "questão organizacional", que incluiu a eleição de novos membros do principal órgão político do regime e de um secretário do Comitê Central do partido, segundo a agência estatal, que não especificou as nomeações.

O Ministério da Unificação da Coreia do Sul, que acompanha de perto os acontecimentos no país vizinho, apontou a possibilidade de a cúpula do regime estar tentando fortalecer o controle do partido e da disciplina interna no quadro excepcional de combate à pandemia, segundo informou um porta-voz agência de notícias sul-coreana "Yonhap".

A mesma fonte lembrou que Seul está tentando reunir informações sobre a situação do vírus na Coreia Norte, país para o qual o consórcio global Covax planeja a entrega de cerca de 1,7 milhão de doses de vacinas contra a covid-19, embora esta venha sendo adiada por problemas de abastecimento.

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