Internacional Kremlin diz que não há condições para 'reiniciar' laços com EUA

Kremlin diz que não há condições para 'reiniciar' laços com EUA

Depois da primeira conversa entre Putin e Biden, chanceler russo diz que ainda falta muito para normalizar relações entre os países

  • Internacional | Da EFE

Putin e Biden tiveram sua primeira conversa na terça-feira

Putin e Biden tiveram sua primeira conversa na terça-feira

Michail Klementyev / Kremlin via EFE - EPA - 27.1.2021

O Kremlin disse nesta quarta-feira que não existem condições para reiniciar as relações entre a Rússia e os Estados Unidos após a conversa entre os presidentes Vladimir Putin e Joe Biden, e o acordo alcançado ontem para prolongar o tratado de desarmamento nuclear, Novo START, por cinco anos.

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"Por enquanto não há condições para um recomeço", disse o porta-voz presidencial, Dmitry Peskov, em sua coletiva de imprensa diária.

Ontem, Putin comunicou ao presidente americano a necessidade de normalizar as relações entre a Rússia e os Estados Unidos, não apenas no interesse de ambos os países, mas também o de toda comunidade internacional, em benefício da segurança e estabilidade no mundo.

"Muitos obstáculos"

No entanto, Peskov disse hoje que entre Moscou e Washington existem "muitos obstáculos" entre os dois países.

"Foi suficiente ontem que os presidentes tenham sublinhado a necessidade de prosseguir o diálogo, embora tenham destacado a existência de divergências bastante importantes" entre os dois governos, sublinhou Peskov, referindo-se ao conflito no leste da Ucrânia e à "agressão russa" mencionada ontem por Biden.

Biden disse a Putin sobre algumas questões que o preocupam, tais como os relatórios sobre pirataria do SolarWinds, as recompensas da Rússia ao Talibã para os soldados americanos no Afeganistão, a interferência nas eleições de 2020 nos EUA, o envenenamento do líder da oposição Alexei Navalny e o tratamento por parte das forças de segurança russas de manifestantes pacíficos.

Segundo Peskov, o presidente russo deu "as explicações relevantes" sobre o caso Navalny, em prisão preventiva após ter sido preso logo após retornar da Alemanha à Rússia, onde se recuperou do envenenamento sofrido em agosto de 2020, que segundo o opositor, foi por ordem de Putin.

No último sábado, o opositor conseguiu levar às ruas de toda a Rússia mais de 110 mil pessoas, que pacificamente exigiram sua libertação e expressaram sua indignação com os casos de corrupção atribuídos pelo ativista a Putin, mas os protestos foram duramente reprimidos e resultaram na prisão de mais de 3,7 mil cidadãos.

De acordo com o Kremlin, os dois presidentes também discutiram em sua conversa - descrita como direta e franca pelo Kremlin - sobre a retirada dos Estados Unidos do Tratado Céus Abertos - pacto multilateral que busca transparência no controle de armas - do acordo nuclear com o Irã, a luta contra a pandemia do coronavírus e a cooperação comercial e econômica.

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