Internacional Líderes europeus de direita pedem solidariedade na crise da Ucrânia

Líderes europeus de direita pedem solidariedade na crise da Ucrânia

Primeiros-ministros pediram a unidade do continente, em uma declaração que não foi apoiada pela francesa Marine Le Pen

AFP
Soldados ucranianos fazem treinamento militar próximo a Kiev

Soldados ucranianos fazem treinamento militar próximo a Kiev

EFE

Os líderes europeus de direita, incluindo os primeiros-ministros da Hungria e Polônia, pediram neste sábado (29), em Madri, na Espanha, a unidade do continente na crise entre Ucrânia e Rússia, em uma declaração que não foi apoiada pela francesa Marine Le Pen.

"As ações militares da Rússia na fronteira leste da Europa nos levaram à beira de uma guerra", afirma a declaração final da reunião organizada pelos partidos de direita em Madri, segundo um trecho do texto lido à imprensa por Jorge Buxadé, porta-voz do espanhol Vox.

"A solidariedade, a determinação e a cooperação em termos de defesa entre as nações da Europa são necessárias diante de tais ameaças", acrescenta o texto.

A situação na Ucrânia foi um dos temas da reunião, que teve as presenças dos primeiros-ministros da Hungria, Viktor Orban, e Polônia, Mateusz Morawiecki, da candidata à presidência francesa Marine Le Pen e de Santiago Abascal, líder do partido anfitrião, o espanhol Vox.

No momento em que a França mantém conversas diretas com a Rússia para acalmar a situação, e que a Alemanha se recusa a enviar armamentos à Ucrânia, Orban e Morawiecki pediram a seus aliados de demonstrem união.

Marine Le Pen, no entanto, se distanciou da declaração alegando que não deseja interferir nas negociações do presidente Emmanuel Macron: "Não quero de forma alguma que o que se decide hoje influencie (...) a liberdade do presidente nas negociações", afirmou.

Os poloneses e húngaros "tentaram explicar aos nossos amigos que, se você vive em Madri, o que acontece na fronteira russo-ucraniana não tem um impacto imediato sobre você", disse Orban.

"Mas para nós, que vivemos na Europa central, é um tema muito importante e pedimos a todas as partes que defendam a paz e a desescalada", afirmou o húngaro. 

Temor de invasão russa

A Rússia concentra tropas na fronteira com a Ucrânia, o que provoca o temor de uma invasão. 

O presidente russo, Vladimir Putin, nega a intenção de invadir o país, mas exige o fim do que considera uma interferência dos Estados Unidos e dos países ocidentais em sua área de influência, e de forma concreta que Otan interrompa sua expansão para o leste.

O encontro de Madri foi o segundo dos partidos de direita, após a reunião de dezembro em Varsóvia. O objetivo é avançar na construção de uma frente comum no Parlamento Europeu, porque as formações, cujo surgimento e multiplicação na Europa é algo relativamente recente, estão dispersas em diferentes bancadas.

"Avançamos neste trabalho fundamental que realizamos, que tem como objetivo final a constituição de um grupo muito amplo", declarou Marine Le Pen.

Os partidos convocados criticam o que consideram o poder excessivo da União Europeia nas questões de Estado, a imigração ilegal, em particular de muçulmanos, ou a desindustrialização.

O encontro também serviu a interesses domésticos, como no caso de Le Pen, que, cercada de aliados internacionais, incluindo dois chefes de governo, estabelece uma diferença com seu principal rival na direita francesa, Eric Zemmour, antes das eleições presidenciais em abril. Le Pen se reuniu com Orban antes do encontro dos partidos.

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