Internacional Líderes separatistas catalães indultados são soltos na Espanha

Líderes separatistas catalães indultados são soltos na Espanha

Nove separatistas passaram mais de três anos presos pela tentativa fracassada de secessão em 2017

AFP
Líderes separatistas catalães indultados são soltos na Espanha

Líderes separatistas catalães indultados são soltos na Espanha

Albert Gea/Reuters - 23.6.2021

Os nove líderes separatistas catalães indultados pelo governo espanhol na terça-feira (22) foram soltos nesta quarta (23), depois de passarem mais de três anos presos pela tentativa fracassada de secessão em 2017.

Com uma faixa que dizia "Freedom for Catalonia" ("Liberdade para a Catalunha"), sete dos perdoados deixaram a prisão de Lledoners, a cerca de 70 km de Barcelona.

Foram recebidos por uma centena de apoiadores que gritavam "independência!" e pelo presidente regional catalão, Pere Aragonès, que os abraçou um a um.

Ao mesmo tempo, deixaram suas respectivas penitenciárias a ex-presidente do Parlamento catalão Carme Forcadell e a ex-membro do governo regional Dolors Bassa.

Entre os indultados, está o companheiro de partido de Aragonès e ex-vice-presidente catalão Oriol Junqueras, condenado a 13 anos de prisão e a outros 13 anos de inelegibilidade por sedição e malversação de fundos públicos.

Junto com ele, saíram Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, líderes na época de duas poderosas associações que lotaram as ruas de manifestantes a favor da independência desta região espanhola. Ambos foram os primeiros a entrar na prisão, em 16 de outubro de 2017. 

"Até o dia da vitória continuaremos trabalhando com todo povo deste país, sem excluir ninguém, para realizar o sonho de uma república catalã. Viva a Catalunha livre!", declarou Junqueras, falando de um palanque.

"Não aceitaremos o silêncio em troca de nenhum indulto", afirmou Jordi Sánchez pouco antes.

"Estou aqui, porque o sacrifício que eles fizeram pela Catalunha e por todos nós foi muito grande. É uma forma de lhes agradecer", disse à AFP Ignasi Solé, mecânico aposentado que viajou quase 100 km até Lledoners. 

O Tribunal Supremo condenou os nove a penas de 9 a 13 anos de prisão em 2019 e, nesta quarta-feira, ordenou sua soltura, após o indulto concedido na véspera (22) pelo governo espanhol.

Criticada pela oposição de direita, a medida foi justificada pelo Executivo de esquerda de Pedro Sánchez como uma forma de promover o "diálogo" e a "conciliação" na Catalunha, onde os separatistas sistematicamente denunciam a prisão de seus líderes por considerá-los "prisioneiros políticos".

Nos últimos meses, os nove já vinham sendo beneficiados com várias autorizações para verem suas famílias, ou trabalharem.

Superar a divisão

"A generosidade e o respeito são o caminho que escolhemos. E esperamos que os milhares de catalães que representam os políticos indultados escolham o mesmo caminho", escreveu Pedro Sánchez, nesta quarta, em uma coluna no jornal El País. 

"Quanto mais cedo conseguirmos superar a divisão, mais cedo poderemos dedicar toda nossa energia política para melhorar a vida real dos cidadãos", acrescentou o dirigente socialista.

Depois do verão (inverno no Brasil), Sánchez pretende retomar a mesa de negociações com o governo catalão, onde os independentistas querem incluir Junqueras.

Os indultos são parciais: apesar da comutação dos nove anos de prisão pendentes, eles permanecem inelegíveis para ocupar cargos públicos. 

Além disso, os indultos serão revogados se cometerem crimes graves em um período de três a seis anos, dependendo do caso.

Os separatistas exigiam uma anistia, o que implicaria o apagamento total dos crimes cometidos. O governo espanhol alegou que esta medida seria inaceitável em um regime democrático.

No Congresso, o líder da oposição conservadora, Pablo Casado, do Partido Popular (PP), aproveitou a sessão desta quarta-feira para atacar mais uma vez o gesto em direção ao separatismo, de cujo apoio o Executivo minoritário de Pedro Sánchez depende na Câmera Baixa.

"Você se colocou do lado errado da história, que não o absolverá", declarou Casado a Sánchez.

A tentativa de secessão foi a maior crise política na Espanha em 40 anos e teve como momentos fortes a realização de um referendo de autodeterminação em 1º de outubro de 2017 - uma consulta declarada ilegal por Madri - e a proclamação unilateral da independência no Parlamento Catalão no dia 27 do mesmo mês.

O então presidente catalão e agora eurodeputado, Carles Puigdemont, fugiu para a Bélgica horas depois da proclamação unilateral. Seu processo continua aberto na Espanha, para onde não retornou desde então.

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