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Internacional Macron encontra Putin em meio à crise na fronteira ucraniana

Macron encontra Putin em meio à crise na fronteira ucraniana

Semana começa com intensas atividades diplomáticas para tentar evitar um conflito entre Rússia e Ucrânia

AFP
Vladimir Putin cumprimenta Emmanuel Macron durante cúpula da Líbia em Berlim

Vladimir Putin cumprimenta Emmanuel Macron durante cúpula da Líbia em Berlim

Hannibal Hanschke/AFP - 19.01.2020

O presidente francês Emmanuel Macron se reúne nesta segunda-feira (7) com o colega russo Vladimir Putin, enquanto o chanceler Olaf Scholz terá um encontro em Washington com o presidente americano Joe Biden, para tentar reduzir a tensão na crise da Ucrânia.

Macron, cujo país tem a presidência semestral da União Europeia, deve desembarcar em Moscou à tarde e, depois da conversa com Putin, ambos concederão uma entrevista coletiva conjunta, informou o Palácio do Eliseu.

Também nesta segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores da Alemanha, República Tcheca, Eslováquia e Áustria viajarão a Kiev.

Autoridades americanas afirmaram que a Rússia mobilizou 110 mil soldados ao longo da fronteira com a Ucrânia, mas as avaliações do serviço de inteligência não determinaram se os planos do presidente russo Vladimir Putin são de invadir o país.

As fontes americanas afirmaram que a Rússia está a caminho de reunir uma força de quase 150 mil soldados para uma invasão em grande escala em meados de fevereiro.

Dessa maneira, a Rússia poderia tomar a capital, Kiev, em 48 horas, em uma operação que poderia matar até 50 mil civis, 25 mil soldados ucranianos e 10 mil militares russos, com uma onda de até 5 milhões de refugiados, de acordo com os funcionários da inteligência americana.

Além de se preocupar com o potencial custo humano, a Ucrânia teme um grande dano a sua já abalada economia. A Rússia quer garantias da Otan de que a Ucrânia não entrará para a Aliança e deseja que o bloco do Atlântico Norte retire suas forças dos países membros do Leste Europeu.

"Previsões apocalípticas"

Moscou nega a intenção de invadir a Ucrânia, e um conselheiro presidencial de Kiev afirmou que as possibilidades de uma solução diplomática são "consideravelmente maiores que a ameaça de uma escalada".

O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, tentou minimizar o cenário ao afirmar no Twitter: "Não acreditem nas previsões apocalípticas. Diferentes capitais têm cenários diferentes, mas a Ucrânia está preparada para qualquer cenário".

O presidente francês Emmanuel Macron visita Moscou nesta segunda-feira e viajará a Kiev nesta terça-feira (8) para tentar reduzir a tensão.

Muitos esperam que ele promova um plano de paz estagnado para o conflito de vários anos com os separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia. A viagem é uma aposta política para Macron, que tentará a reeleição em abril.

Ao mesmo tempo, o chanceler alemão Olaf Scholz se reunirá com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em Washington.

"Trabalhamos de maneira forte para enviar à Rússia uma mensagem clara de que pagará um preço elevado em caso de intervenção na Ucrânia", declarou Scholz em uma entrevista ao jornal Washington Post.

Biden ofereceu 3.000 soldados de seu país para fortalecer o flanco leste da Otan, e parte do contingente chegou à Polônia neste domingo (6).

Mas o conselheiro de Segurança Nacional de Biden, Jake Sullivan, disse ao canal Fox News neste domingo que o presidente "não está enviando forças para iniciar uma guerra ou travar uma guerra com a Rússia na Ucrânia". Ele explicou que as forças foram enviadas à Europa para defender o território da Otan

Scholz afirmou neste domingo que Berlim está preparado para enviar mais soldados aos países bálticos, além dos 500 que já estão na Lituânia com uma operação da Otan.

Scholz viajará a Moscou e Kiev na próxima semana para conversar com Putin e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. 

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