Crise na Venezuela

Internacional Maduro descarta acordo com UE até mudança de política

Maduro descarta acordo com UE até mudança de política

País expulsou embaixadora europeia depois que bloco sancionou 19 venezuelanos, incluindo funcionários do Estado

Maduro pediu para União Europeia mudar política após sanções

Maduro pediu para União Europeia mudar política após sanções

Manaure Quintero/Reuters - 12.3.2020

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu na quarta-feira (24) para a União Europeia alterar a sua política em relação ao país, sob a ameaça de jamais reatar as relações com o bloco comunitário.

"Ou vocês retificam ou não há mais acordo algum com vocês, de qualquer tipo, nenhum diálogo", ameaçou o presidente venezuelano durante um ato de trabalho transmitido pela emissora pública de televisão VTV, horas depois de ter ordenado a expulsão da embaixadora da UE no país, Isabel Brilhante Pedrosa.

"A União Europeia é bem-vinda na Venezuela, mas se respeitar a democracia e as instituições democráticas em nosso país", completou o chefe de governo.

Nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, anunciou a expulsão de Brilhante Pedrosa, por ordem de Maduro. A ação foi uma resposta às últimas sanções da UE contra 19 venezuelanos, incluindo deputados e funcionários do Estado.

A medida era esperada desde ontem, quando o Parlamento, onde o partido governista tem imensa maioria, convocou o governo a implementar os mecanismos legais para a expulsão da diplomata. Maduro disse que, a princípio, não queria adotar a medida, mas se viu obrigado.

"Nós o fazemos contra nossa vontade, até mesmo porque queremos ter as melhores relações com toda a Europa, mas não podemos aceitar que alguém venha ofender a Venezuela, atacar, sancionar. Não aceitaremos isso da parte de ninguém", frisou.

O governo venezuelano já havia ordenado a expulsão da embaixadora europeia no final de junho de 2020, mas voltou atrás três dias depois.

Hoje, a UE pediu para a Venezuela reverter a advertência, argumentando que Maduro está se isolando cada vez mais. O chefe de governo tem a legitimidade questionada por vários países, e alguns deles reconhecem o opositor Juan Guaidó como presidente interino.

"A UE lamenta profundamente esta decisão, que só isolará a Venezuela internacionalmente. Solicitamos que a decisão seja revertida", declarou a porta-voz do Serviço Europeu de Ação Externa (EEAS), Nabila Massrali, à Agência Efe.

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