Internacional Mais precisa, 'Guerra de drones' espalha tensão no Oriente Médio

Mais precisa, 'Guerra de drones' espalha tensão no Oriente Médio

Equipamento tem sido cada vez mais utilizado e, no futuro, será o principal meio de vigilância e até de bombardeios, segundo o professor 

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Drones têm capacidade de atingir alvos específicos

Drones têm capacidade de atingir alvos específicos

EFE/EPA/NABIL MOUNZER/25-08-19

A derrubada, em junho último, de um drone de vigilância militar dos EUA, supostamente por forças iranianas, revelou um fenômeno que tem se tornado crescente no Oriente Médio.

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O drone tem sido cada vez mais utilizado e, no futuro, será o principal meio de vigilância e até de bombardeios, segundo o professor Ricardo Gennari, professor de Inteligência da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) da USP (Universidade de São Paulo).

"O drone veio para ficar. A tendência é de os pilotos sumirem dos aviões no futuro. A alta tecnologia do drone, com avançados sistemas de GPS, permite muito maior precisão e reduz os custos. É muito mais barato utilizar um drone, pilotado a distância, do que um caça F-35, por exemplo", afirmou.

Mas, por outro lado, quando interceptados, os drones também podem gerar conflitos. No caso da tensão entre EUA e Irã, os militares americanos ficaram na iminência de lançar ataques aéreos maciços em território iraniano.

"O drone é um aparelho mortal, não se deve ter uma ideia ingênua em relação a isso. Dependendo do que carrega pode ser muito destrutivo, apesar de preciso. A ideia de equipamento de osbervação valia mais para tempos antigos. O drone não é um equipamento novo, foi utilizado pela primeira vez na Segunda Guerra Mundial. Com o avanço tecnológico, além de observação, ganhou a capacidade de atuar como armamento", destaca o professor.

China e Rússia também têm utilizado tal expediente. Segundo a AP, o drone tem sido utilizado inclusive por rebeldes Houthis apoiados pelo Irã na guerra do Iêmen.

"Já existem esquadrilhas de drones pilotados a distância para ataques, que estão substituindo em muitos casos os bombardeiros e estão obtendo sucesso em relação à precisão dos alvos. Sem a mão humana de um piloto, no momento do ataque, o risco de efeitos colaterais é quase zero. Este tipo de instrumento não diminui a guerra, minimiza riscos", afirma Gennari.

Nos últimos meses, Israel tem monitorado a fronteira com a Síria e realizado alguns ataques com drones a alvos que alega serem bases militares iranianas. No mais recente atrito, forças aéreas israelenses atacaram alvos na Síria, acusando o Irã de estar preparando um ataque ao território israelense, com drones armados com explosivos.

E no último dia 30, o grupo radical xiita, Hezbollah, acusou Israel de realizar dois ataques com drone a redutos da milícia em Beirute, dias antes. Israel não reconheceu a ação, mas acusou o Irã de ter a intenção de fabricar, por meio do Hezbollah, mísseis de precisão, também guiados, para eventuais ataques a cidades israelenses.

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